Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Em busca de um raio de sol



Todo dia 13 de maio é a mesma coisa. Castro Alves me aparece, fazendo perguntas, dizendo que está triste e que quer conversar. Acaba me contaminando com sua melancolia. E o resultado é uma conversa de bêbado.
Castro: “Donde vem? onde vai? Das naus errantes Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço? Neste saara os corcéis o pó levantam, Galopam, voam, mas não deixam traço.”
Eu: Venho de perto. Daqui mesmo. Aqui nasci. Roubaram-me o rumo. Tudo é cansaço. Mas naquele raio de sol, Me apego e me refaço.
Castro: ”Bem feliz quem ali pode nest’hora Sentir deste painel a majestade!”
Eu: Aquele raio é minha única vontade O quero tanto e tanto na mesma medida em que morro tanto e tanto Por isso o quero.
Castro: “Esperai! esperai! deixai que eu beba Esta selvagem, livre poesia”
Eu: Como esperar, nobre poeta? Donde venho é desse chão Onde vou? Beijá-lo, claro!
Castro: “Por que foges assim, barco ligeiro? Por que foges do pávido poeta? Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira Que semelha no mar — doudo cometa!”
Eu: Não fujo de ti, ilustre trovador! Nem sei bem de que fujo, talvez de mim. Como se eu pudesse enganar minha dor Como se desejo tivesse fim Sabes o que meu desejo quer, ilustríssimo? Desejar mais e mais!
Castro: “Sacode as penas, Leviathan do espaço, Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.”
Eu: Bem queria eu ser uma gaivota Dividiria, sim, as minhas asas e voaria contigo lado a lado. Que graça tem voar numa só nota? A mesma graça de um desejo saciado…
Castro: “Donde é filho, qual seu lar?”
Eu: Deves estar achando que não digo coisa com coisa, acertei? Afinal quero ou não a liberdade? Sabe, é que essa cachaça, esse luar… Abalam a pessoa que é uma loucura… Mas é que a liberdade, de tanto que se a procura Quando se acha ela se parece com o mar… Bela, vasta e de dar medo.

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