Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O que é poesia? O que é arte?

Aparição com poesia

Por Altair Oliveira

...palavras on the rocks, bacos e apolos, poetas e prosadores, anjos e demônios fazem encontros marcados para essa conversa de bar virtual. Sempre às 3a. feiras no ContemporARTES A tecnologia hoje nos põe à mão um verdadeiro oceano de informações (textos, sons, imagens, etc) sem que a máquina humana tenha evoluido. Falar de poesia neste tempo de pouco tempo e de muitas palavras é meio como quem, no dito antigo, procurava chifres em cabeças de cavalos. Primeiramente ao ponto de poder processá-las e acatá-las com a perspicácia exigida pelos catedráticos para a leitura de um poema. Depois há o próprio impasse da poesia que não responde nunca com precisão às perguntas seculares que lhe são impostas pela lógica. Questões como "o que é poesia?", "qual a utilidade da poesia?", "a poesia tem que estar escrita para ser poesia? e etc, têm sido respondida de diferentes formas, por poetas, por leigos ou por estudiosos do assunto. Das definições que já ouvi sobre a utilidade de poesia e poetas, não foram poucas, uma das que mais me satisfez foi a do poeta e romancista francês Anatole France "Os poetas ajudam-nos a amar: só servem para isso." Se for isso mesmo, ser poeta é então uma ocupação grandiosa! A poesia é a arte da palavra, dizem. E a palavra "poesia" é proferida quase sempre com uma conotação do belo e do sublime, usamo-a quando queremos dizer que ficamos tocados ou sensibilizados com o que vimos. Logo, poesia é uma palavra boa, é do bem. Já a palavra "poeta" tem significados distintos, muito além do mero fazedor de versos, ela tanto pode ser usada para elogiar como para escarnecer alguém. Apesar de ouvirmos com bastante frequência os termos "nova poesia" ou "novissíma poesia" – esta, irmã caçula da primeira - geralmente atribuido a grupos de vanguarda poética, sabemos que poesia é uma arte antiga, talvez tão antiga como a a dança ou a música, dum tempo em que o homem nem sabia escrever ainda. Em suma, a poesia deve ser mesmo uma coisa boa! Digo isto porque o homem soube preservá-la até hoje, muito embora. Ela é talvez a mais precária das artes, uma arte que não mantém-se por si mesma, depende dos poetas para sobreviver. Em suma, a poesia deve ser mesmo uma coisa boa! Digo isto porque o homem soube preservá-la até hoje, muito embora seja ela talvez, a mais precária dentre as artes, aquela que não mantém-se por si mesma e depende dos poetas para sobreviver. Escrever poesia parece fácil mas não o é. Em tese, qualquer pessoa alfabetizada pode, com auxílio de um lápis e de um guardanapo, redigir algo e declará-lo como poema, daí em diante, contrariá-la ficaria difícil. Escrever poemas parece ser o caminho mais fácil de alguém tornar-se artista, talvez por isto é uma atividade tão tentadora. O interessante é que o sonho de quase todo aquele que escreve poesia, ou que decide começar a fazê-lo, é de um dia poder viver do que escreve. Mas a realidade me soa contrária. Explico: após 30 anos de militância na poesia independente, para mim o que fica é que a poesia sobrevive aos poetas, estes morrem para mantê-la viva e renovada custeando a publicação de seus escritos. Assim, não seria um equívoco dos poetas imaginarem que poderiam adquirir a imortalidade ao conseguirem um modo de serem aceitos nas academias de letras ou de artes de seus respectivos paises, estados, ou municípios? Recentemente ouvi falar sobre as academias de letras de bairros e de distrito e, confesso, fiquei tentado a fundar uma academia de letras de quintal, de fundo de quintal... de fundo de quintal de quitinete, para ser mais preciso. Quem sou eu? Tenho já muitas respostas sobre esta pergunta, que não me satistazem porque ainda me procuro. Quero crer que sou feito do mesmo barro com o que são feitos os poetas, pois desde cedo senti a influência da poesia em minhas leituras do mundo, soube que era rara, daí quis um dia ter palavras para descrevê-la. Tenho comigo que o processo do nascimento de um poema começa na leitura de nossos próprios espantos. Uma emoção que necessite de um processamento para se conseguir alcançar a elaboração de algo que era antes apenas uma percepção difusa, sensorial. Dessa forma, a tarefa de quem escreve o poema seria “traduzir” este sentimento ao mundo, revelá-lo ou dar-lhe entendimento comum. Mas ainda assim, o poema necessita de um leitor para completar-se. É no leitor que a poesia acontece, isto se ela conseguir tocá-lo. Pois, como qualquer arte, se a poesia não conseguir tocar, ela dança!

Altair Oliveira é poeta.

Texto publicado originalmente na coluna que Altair Oliveira mantém no blog "Contemporartes".

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