Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Nos traços da história: 55 anos da reviravolta do suicídio (genial) de Vargas

Por Hélio Fernandes

O ditador que dominou Brasil por 15 anos i-n-i-n-t-e-r-r-u-p-t-o-s, assumiu em 1951 completamente desgastado. No 29 de outubro de 1945 (queda da ditadura), tentou continuar de todas as maneiras. D-e-s-g-a-s-t-a-d-í-s-s-i-m-o, não conseguiu apesar do apoio surpreendente do mais torturado de todos os brasileiros: Luiz Carlos Prestes.

Prestes: “Constituinte com Vargas”

Libertado para que apoiasse Vargas, apoiou mas não adiantou. Fez um famoso discurso no Estádio do Vasco (ainda não existia o Maracanã) criticando o próprio povo que, segundo o líder comunista, “se aburguesara, só pensava em geladeira e outras comodidades” (ainda não existia televisão).

Ditador a vida inteira, Vargas nem sabia o que era democracia

Foram mais de 3 anos de incompetência, incoerência, imprudência. A oposição a ele cresceu por força da sua própria incompreensão. Governar com o Congresso, liberdade de expressão, opinião pública, era um vácuo que Vargas não conseguia preencher.

O suicídio politicamente genial

O povo estava totalmente contra ele. Nas vésperas do 24 de agosto (55 anos hoje), na Cinelândia, centro nervoso eleitoral do Rio (então Distrito Federal), a multidão dava “vivas” a Lacerda, queimava os carros do PTB.

Psicologia das multidões

Dias depois, quando Vargas se matou, a mesma multidão, passava a gritar, “Morra Lacerda” e queimava carros da UDN.

Vargas, nada a ver com a Petrobras

A campanha do “Petróleo é nosso” surgiu, cresceu e se popularizou a partir do Clube Militar. Lógico, muitos civis tiveram grande importância. Em plena crise política, eleitoral e mais do que tudo, partidária, chegou ao Congresso.

Um comunista e a UDN

Quem apresentou o projeto foi o deputado Roberto Morena, um dos 15 deputados eleitos pelo Partido Comunista em 1945. Em 1948, o PC teve seu registro invalidado e esses deputados e mais o senador Prestes seriam cassados. Todos foram embora antes, ficaram sem mandatos, mas longe.

Morena voltou em 1950

Inscrito por outro partido, se elegeu e teve bastante atividade. Criou a Petrobras, Vargas aceitou, não tinha o menor interesse.

Curiosidade: Roberto Morena, de profissão marceneiro, trabalhou na colocação das poltronas do Palácio Tiradentes, onde mais tarde exerceria seus mandatos. (Exclusiva).


Hélio Fernandes é jornalista.


Texto publicado originalmente hoje, 24 de Agosto de 2009, na "Tribuna da Imprensa".

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