Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

“Devemos ter programas de política social, que não só estimulem as pessoas a falarem o que pensam, mas que elas pensem sobre o que falam.”

O papel social do jornalismo

Por Fernanda Turino*

O papel de um jornalista vai muito além do simples noticiar dos fatos. Um verdadeiro comunicador deve estar comprometido com a sociedade e cumprir seus deveres para com ela. Essa é a opinião do professor da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO) Evandro Ouriques, que ministra o curso de Jornalismo de Políticas Públicas Sociais (JPPS). “Especialmente quando se trata de políticas públicas, o papel do jornalismo é essencial”, afirma.

Para o docente, os jornalistas precisam perceber que sua atuação é essencial para que as políticas públicas sejam eficientes. “A responsabilidade do jornalismo nesta questão é central. Ela começa no entendimento de que a imprensa não existe como uma entidade metafísica, ou seja, uma coisa que está fora da ação do jornalista e do comunicador”, acrescenta.

Em oposição a essa ideia, os grandes veículos de comunicação do país são empresas privadas e atuam como se o seu único compromisso fosse com os lucros. Para Ouriques, esse tipo de atitude traz outro problema: a falta de inovação nos meios de comunicação, o que leva a uma contínua repetição de discursos. “Precisamos de uma nova imprensa que pare de repetir os jargões, as ideias preconcebidas”, destaca.

Ação das universidades

Evandro Ouriques frisa a necessidade de a universidade criar novos projetos pedagógicos para a formação de profissionais que reflitam sobre o que comunicam. “Na medida em que a universidade investe na mudança de mentalidades, essa instituição deve apoiar uma nova formação de jornalistas e comunicadores”, defende.

O professor da ECO enxerga a tecnologia como uma importante ferramenta para abrir novos caminhos para as políticas públicas: “Entretanto”, ressalva, “ela não deve ser encarada como o principal instrumento para a mudança de perspectivas”. Para Ouriques, “a universidade não pode ter seus investimentos centrados na tecnologia. Tem que ter seus investimentos centrados no ser humano”.

Mudança de perspectivas

Segundo o docente, uma mudança de comportamento no ambiente universitário trará reflexos na forma de agir da mídia. “Devemos ter programas de política social, que não só estimulem as pessoas a falarem o que pensam, mas que elas pensem sobre o que falam.” Evandro acredita que grande parte da mídia não ensina a refletir. “De forma geral, percebo que o jornalismo não cumpre a sua função social, mas há nichos de intensa contradição que são brechas a serem ampliadas”, conclui.

*Do "Olhar Virtual", uma publicação da Coordenadoria de Comunicação da UFRJ.

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