Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

sábado, 4 de julho de 2009

Nos traços da história: 61 anos sem Monteiro Lobato estar aqui

Como homenagem, trago até aqui a última entrevista concedida por Monteiro Lobato. A entrevista foi concedida ao radialista Murilo Alves Mendes, da rádio Record, em 2 de Julho de 1948, dois dias antes de Lobato falecer. O áudio completo está disponível nos 3 vídeos abaixo. É raridade pura, é verdadeira preciosidade.








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Monteiro Lobato - um visionário

Texto do CPDoc / JB


Maior escritor da literatura infanto-juvenil brasileira, Monteiro Lobato foi um visionário. O filho de fazendeiros de Taubaté (SP), criador da frase "um país se faz com homens e livros", fundou em 1918 a primeira editora do Brasil, a Monteiro Lobato e Cia. Antes da iniciativa, todos os livros eram impressos em Portugal.

Monteiro Lobato estreou como escritor em 1918, com Urupês, obra-prima com 14 contos sobre o cotidiano do homem do campo, seus costumes, crenças, tradições. Nos anos seguintes, publicou Cidades mortas e Negrinha, que abordam a violência contra negros, mulheres e imigrantes, a arrogância das elites e o crescimento desordenado das metrópoles.

Já consagrado na carreira literária, foi nomeado em 1926 adido comercial da embaixada brasileira nos Estados Unidos, de onde retornou só em 1931. Lobato enfrentou graves problemas naquele país por causa de seu livro O presidente negro e O choque de raças, publicado em 1926, que narra a eleição do 88° presidente americano em que três candidatos disputam os votos: o negro Jim Roy, a feminista Evelyn Astor e o presidente Kerlog, candidato à reeleição.

O escritor regressou dos EUA convencido de que o subsolo brasileiro guardava enormes riquezas naturais, principalmente petróleo. A partir de então foi um ardoroso defensor da criação da Petrobras e contrário à exploração das reservas minerais por multinacionais. Chegou a remeter uma carta ao presidente Getúlio Vargas, em pleno Estado Novo, na qual denunciava o interesse estrangeiro por negar a existência de petróleo no Brasil e acabou preso. Getúlio considerou a carta ofensiva ao governo. Monteiro Lobato seria preso novamente, pelo mesmo motivo, em 1941. A luta pela nacionalização da extração de petróleo deixou o escritor pobre, doente e desgostoso.

Vasta obra infantil
O escritor produziu 26 títulos dedicados ao público infantil, criando personagens inesquecíveis como os do Sítio do Pica-Pau Amarelo: a boneca Emília, o visconde de Sabugosa, o Narizinho, o Pedrinho, a tia Nastácia, dona Benta, além de Jeca Tatu.

O município baiano onde foi perfurado o primeiro poço de petróleo no Brasil, em 1939, por coincidência tinha o nome de Lobato.

Monteiro Lobato defendia também o imposto único sobre o valor da terra, baseado nas teorias de Henry George.

Em homenagem ao seu nascimento, no dia 18 de abril, é comemorado o Dia do Livro Infantil. O escritor morreu em 4 de Julho de 1948 depois de sofrer um derrame.

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