Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

OBAMA DIZ QUE EUA NÃO VÃO MAIS PERMITIR EXPANSIONISMO ISRAELENSE


OBAMA PROMETE NOVO RELACIONAMENTO COM MUÇULMANOS

Celso Lungaretti


O presidente estadunidense Barack Obama quer passar uma borracha no passado e iniciar um novo relacionamento com o mundo muçulmano.

Foi o que ele disse nesta 5ª feira (4) no Cairo, ao mesmo tempo em que fazia autocrítica pública por crimes e erros cometidos pelos EUA: a invasão do Iraque para derrubar Saddam Hussein, as torturas e demais violações dos direitos de prisioneiros que foram cometidas nas bases norte-americanas em vários países, o alinhamento incondicional com Israel e o abandono do povo palestino à sanha israelense, etc.

Como sempre faço nesses casos, prefiro apostar no melhor, dando-lhe um crédito de confiança. Tomara que ele consiga mesmo concretizar o que propõe! O mundo só ganhará com isso.

Eis os trechos mais significativos -- por serem um inegável avanço em relação às posturas anteriores -- do seu enorme discurso, torcendo para que ele acabe representando um divisor de águas, inscrito na história da humanidade e não na dos grandes cases de relações públicas:

Esse ciclo de desconfiança e discórdia precisa acabar.

Vim para cá para buscar um novo começo entre os Estados Unidos e muçulmanos em todo o mundo; um que seja baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo; e um que seja baseado na verdade de que Estados Unidos e islã não são mutuamente excludentes e não precisam competir. Em vez disso, eles se sobrepõem e compartilham princípios comuns: princípios de justiça e progresso, de tolerância e da dignidade de todos os seres humanos.

... ao longo de toda a história, o islã demonstrou em palavras e atos as possibilidades da tolerância religiosa e da igualdade racial.

...o Iraque foi uma guerra travada por opção e que provocou fortes divergências em meu país e em todo o mundo. Embora eu acredite que, em última análise, o povo iraquiano esteja melhor sem a tirania de Saddam Hussein, também acredito que os fatos no Iraque fizeram os EUA recordarem a necessidade de usar a diplomacia e construir consensos internacionais para resolverem seus problemas, sempre que possível.

Hoje os EUA têm uma responsabilidade dupla: ajudar o Iraque a forjar um futuro melhor e deixar o Iraque para os iraquianos. Já deixei claro para o povo do Iraque que não queremos bases em seu país e não reivindicamos seu território ou seus recursos. A soberania do Iraque é dele mesmo. Foi por isso que ordenei a retirada de nossas brigadas de combate até o próximo mês de agosto.

...não devemos nunca alterar nossos princípios. O 11 de Setembro foi um trauma enorme para nosso país. O medo e ódio que provocou foram compreensíveis, mas, em alguns casos, nos levaram a agir contrariamente a nossos ideais. Estamos tomando medidas concretas para mudar de rumo. Proibi inequivocamente o uso de tortura pelos Estados Unidos e ordenei o fechamento da prisão de Guantánamo até o início do próximo ano.

Há mais de 60 anos os palestinos suportam a dor do deslocamento. Muitos aguardam em campos de refugiados na Cisjordânia, Faixa de Gaza e terras vizinhas por uma vida de paz e segurança que eles nunca puderam viver. Eles sofrem as humilhações diárias, grandes e pequenas, que acompanham a ocupação. Portanto, que não haja dúvida: a situação do povo palestino é intolerável. Os EUA não darão as costas à legítima aspiração palestina por dignidade, oportunidade e um Estado próprio.

...se olharmos para esse conflito apenas desde um lado ou do outro, ficaremos cegos para a verdade: que a única solução é que as aspirações dos dois lados sejam atendidas através de dois Estados, em que israelenses e palestinos vivam, de cada lado, em paz e segurança.

Isso é do interesse de Israel, é do interesse da Palestina, é do interesse dos EUA e é do interesse do mundo. É por isso que eu pretendo pessoalmente trabalhar por essa solução com toda a paciência que a tarefa exige.

...os israelenses precisam reconhecer que, assim como o direito de Israel à existência não pode ser negado, tampouco o da Palestina pode ser negado. Os Estados Unidos não aceitam a legitimidade da continuidade dos assentamentos israelenses. Essa construção viola acordos prévios e solapa os esforços para conquistar a paz. É hora de esses assentamentos pararem.

Israel também precisa cumprir suas obrigações de assegurar que os palestinos possam viver, trabalhar e desenvolver sua sociedade. E, assim como devasta famílias palestinas, a crise humanitária contínua na Faixa de Gaza não favorece a segurança de Israel, como também não a favorece a contínua ausência de oportunidades na Cisjordânia. O progresso na vida diária do povo palestino precisa fazer parte de um caminho que leve à paz, e Israel precisa tomar medidas concretas para possibilitar esse progresso.

Há tanto medo, tanta desconfiança. Mas, se optarmos por ficarmos presos ao passado, nunca avançaremos.

Os povos do mundo podem conviver em paz. Sabemos que essa é a visão de Deus. Agora esse precisa ser nosso trabalho aqui na Terra.


Celso Lungaretti é jornalista e escritor.

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