Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

sábado, 27 de junho de 2009

O "moonwalk" e a imortalidade daqueles que deixam sua marca

Um Maracanãzinho vazio

Por Carlos Murdoch

Tive a oportunidade de assistir ao Jackson Five em um Maracanãzinho vazio. Aquele moleque de voz infinita para mim, nada mais significava do que um personagem de desenho animado a que eu assistia antes de ir à escola. Anos se passaram, a música se transformou em paixão e pude compreender que o som macio, melódico e groovy era o produto da Motown Records. Esta era responsável pela inserção da música “negra“ no mundo pop e, consequentemente, pela sua disseminação mundial. Ainda éramos inocentes nos anos 70.

Pois bem, cresci, o que era de se esperar, e minha adolescência ainda foi marcada por hits de Donna Summer, Dianna Ross e Michael Jackson, este ainda jovem e com a cor e o talento que a natureza lhe deu. Cantor de voz aguda, inacreditável amplitude de oitavas, cheio de ritmo e um visual adequado às roupas colantes e brilhantes típicas dos vídeos da época (pré-MTV). Off the wall foi um marco de mídia que acabou por esmagar a banda de família (Jackson Five) com um hit arrasador Don't stop 'till we get enough”. Saudosos 70.

Década de 80, não sabíamos se seríamos punks, guerrilheiros tupamaros ou new romantics. Notícias do Norte nos contaminaram com uma nova estética via Thriller, nos empurrando goela abaixo uma fusão de funk, rock, disco e pop de altíssima qualidade. O pacote nos foi vendido via MTV. A ciência da multimídia estava criada. Compre o disco, veja o vídeo, dance a música, vista a roupa, compre o VHS !!!!!

Durante anos me vi na dúvida se admirava ou odiava Michael Jackson por incluir no elenco meus amados filmes de terror classe “B” (John Landis) ou meus guitar heroes (Eddie van Halen). Inegável, porém, é que a música que emanava do vinil era nada menos do que espetacular.

Passei a década de 90 esperando por outra revolução midiática/cultural e acompanhando a derrocada do astro. Mas a imagem digital nos traz a sensação da imortalidade. Vide Pelé, imortal na copa de 70 com a camisa 10 amarela em cores estouradas sob o sol de meio-dia mexicano. Comparem com o franzino de short largo dos filmes 16 mm da Copa de 58. Parece filme do Carlitos. Doze anos apenas separam estas imagens.

O futuro se materializou via internet e no modo pelo qual nos comunicamos, e Jackson é o primeiro herói digital. Será imortal e jovem por inúmeras gerações que imitarão o moonwalk. Seu fim faz com que eu comece a encarar a morte como uma possibilidade. É o fim da época da inocência e da imortalidade. Reconhecer seu valor é o mínimo a ser feito.

Carlos Murdoch é arquiteto e viu o "Jackson Five" no Rio, na déc. de 70.

Texto e charge saíram no JB de hoje, 27 de Junho de 2009.

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