Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O exemplo que vem do Tocantins

"Não se esqueçam de nós"


Por Zacarias Martins

Um trabalho de grande alcance social. Esta é, sem dúvida, a verdadeira definição das atividades desenvolvidas pelos acadêmicos do sexto período do curso de Jornalismo do Centro Universitário UnirG, no bairro Cidade Industrial, no município de Gurupi, Estado do Tocantins, sob a coordenação do professor Paulo Fernandes, dentro da disciplina de Jornalismo Comunitário I.

Os acadêmicos puderam conhecer de perto a realidade desse bairro — o mais afastado da cidade — e que, por isso mesmo, parece ser o mais esquecido pelo poder público. A comunidade é carente praticamente de tudo. Não conta com ruas asfaltadas, nem praças, posto de saúde, centro comunitário, cursos profissionalizantes, áreas adequadas para práticas esportivas e muitas coisas mais.

O mato alto toma conta de todo bairro. A iluminação pública é precária e, em alguns locais, ela simplesmente inexiste. Não há posto policial. O transporte coletivo deixa muito a desejar e não funciona nos fins de semana ou feriados.

Na única escola existente no bairro, ao concluir o primeiro grau, os alunos que quiserem dar continuidade a seus estudos enfrentam outro problema sério: a falta de transporte para se deslocar até uma das escolas de segundo grau no centro da cidade. Muitos desistem diante das dificuldades.

As crianças e adolescentes do Cidade Industrial anseiam por cursos de música, de teatro, de dança, de capoeira ou qualquer outra atividade cultural onde possam despertar a seu talento.

Enfim, são tantas as carências e muito a ser feito no bairro que qualquer benefício à comunidade, mesmo o mais simples, é visto como uma grande conquista. E é nesse contexto que se enquadra o trabalho social dos acadêmicos de Jornalismo, que acabam de presentear às pessoas que alí residem com o jornal experimental A Comunidade, que chega em boa hora para dar vez, voz e visibilidade a essas pessoas, que, assim como nós, são cidadãos e merecem toda a nossa admiração e o nosso respeito.


Zacarias Martins é jornalista.


Texto publicado originalmente pelo "Portal Literal".

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