Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Nos traços da história: 8 de Junho de 1964 - JK tem seus direitos políticos cassados

Cassado o mandato do então senador JK



Por Lucianne Mano

O ex-presidente da República e senador do PSD por Goiás Juscelino Kubitschek recebeu a notícia da cassação do seu mandato e suspensão por 10 anos dos seus direitos políticos pelo regime militar no seu apartamento na Avenida Vieira Souto, na Zona sul do Rio, cercado pela família e amigos. Com a voz embargada, JK ditou um manifesto em que declarava: "O vendaval de insânias arrastará na sua violenta arrancada mesmo os seus mais rancorosos desafetos. Um por um, eles sentirão os efeitos da tirania que ajudaram a instalar no poder".

A cassação de JK fora um ato isolado, mas no dia seguinte foi divulgada uma lista com mais de 500 cassações e suspensões de direitos políticos de governadores, deputados, juízes e ministros de tribunais federais e estaduais.

A punição frustrou os planos do ex-senador de candidatar-se à Presidência da República nas eleições de 1965. O PSD, partido de Juscelino, apoiou o nome do general Carlos Castelo Branco para assumir à presidência da República depois do golpe de 64 na esperança de serem convocadas eleições democráticas no ano seguinte.

No final da tarde de 13 de junho o ex-presidente embarcou para a Espanha em companhia da mulher dona Sarah para um exílio voluntário. Quando retornou ao país, em 1967, Juscelino tentou articular a Frente Ampla de oposição ao regime militar, com o ex-presidente João Goulart e o seu adversário político o ex-governador da então Guanabara Carlos Lacerda.

A luta de JK para o retorno da democracia foi interrompida em 1976, com a sua morte em um acidente automobilístico, em circunstâncias até hoje não esclarecidas[satisfatoriamente , no Km 328 da Rodovia Presidente Dutra, na altura de Resende, no Rio.

Proibido de visitar Brasília
JK foi proibido de ir a Brasília quando retornou do exílio em 1967. Durante o governo do general Medici, nos anos 1970, o monomotor em que voava para Anápolis (GO) sofreu uma pane e a torre do aeroporto negou autorização para o pouso de emergência na capital federal.

Só em janeiro de 1972, Juscelino conseguiu pôr os pés na cidade que inaugurou, quando um temporal desviou o rumo do avião em que viajava com destino a Planaltina para Brasília. O ex-presidente contou emocionado a visita ao jornalista Carlos Chagas, que publicou o relato em artigo entitulado "Brasília não vê JK chorar", no jornal "O Estado de São Paulo" daquele ano de 72. Um recorte com este artigo foi achado no bolso do paletó de JK, quando ele morreu.*


Lucianne Mano é jornalista.


Artigo publicado originalmente no JB de hoje, 08 de Junho de 2009.


*Obs: JK morreu, em 1976, num suspeitíssimo acidente de automóvel. Leia artigo sobre o mistério que até hoje envolve a morte dele, clicando aqui.

Confira abaixo uma breve biografia em vídeo de JK



Veja abaixo vídeo histórico com JK nas obras da construção de Brasília





E quem era chamado de "presidente Bossa Nova" não é de se admirar que, um dia, virasse poesia...

O retorno de JK
Por Rubens de Araújo*

Alguém me falou que ele um dia voltou!
Que pena...
Eu estava aqui tão perto, e não vi.

Gostaria muito de tê-lo visto, sendo um dos primeiros
De ter lhe dado um forte e fraternal abraço,
Daqueles que damos no nosso velho pai,
Ou num amigo de fé, depois de muitos janeiros.
Eu queria ter gritado bem alto e ter anunciado...
Acorda Brasília, Ele voltou!
Eis aqui o seu criador.

Ele voltou...

Voltou como nunca deveria ter voltado.
Voltou humilhado, escondido, amargurado.
Voltou num velho caminhão de um amigo, emprestado.
Não sei se sorriu pelo seu sonho concretizado
Ou se chorou... Por ter sido do seu país, exilado.
É..., talvez tenha chorado baixinho, calado!
Ele não podia ser visto, notado...
Estava proibido de voltar e rever
A sua Capital da Esperança
Que idealizou e a fez nascer.
É, ele voltou...
Dizem que estava indo pra Formosa...
Será?

Brasília... Será que ele não queria só te espiar lá de cima e saber,
Se estavam cuidando bem de Você?
Após uma pane no seu avião
No Aeroporto de Brasília não o deixaram pousar...

Que ironia, não sei se do destino...
Hoje, o mesmo Aeroporto tem o nome JK.
De certo tal insanidade fosse para que ele pudesse cair.
Mas para o desespero dos seus algozes que esperavam seu fim
A aeronave aterrissou na fazenda de um amigo em Unaí.

Acredito que mais uma vez ele deva ter chorado
Não... Tiranos não mudam o curso de um ser predestinado!
E aceitando o convite de um amigo que sabia da sua predileção
Partiram da Cidade de Unaí sobre um velho caminhão.
Pois opressores jamais tiram de um líder a sua convicção.

Em meio à oculta visita, adentraram na W3
Comentando detalhes mantidos na mesma forma de antes...
Sutilmente falaram sobre a Cidade Livre, Núcleo Bandeirante.
Orgulhoso dos valentes Candangos e dos amigos que fez...
Não encontraram o local do histórico Cine Cultura,
E o percurso na Avenida fizeram outra vez.

Seguidamente passou pelo Eixo Monumental
Tecendo saudosos comentários com o amigo
Sobre o inicio da Capital.
Passou pela Rodoviária e entrou na Catedral.
Cabisbaixo de certo, deve ter orado
Agradecendo a Deus como sempre fazia, de forma original.

Contam que quando saia, a alguém perguntou...
Se a catedral por vezes enchia,
E em meio à resposta evasiva profetizou,
Que num futuro não muito distante ela seria superlotada o bastante,
Pelo povo brasileiro, que num misto de tristeza, orgulho, saudade e dor...

Consternaria todo o País em demonstração de amor.
Recôndito em sua visita ele passou pela Esplanada dos Ministérios
E na Praça dos Três Poderes parou;

Sorriu para a Bandeira Brasileira no alto,
Deu milho aos pombos em meio ao STF e o Palácio do Planalto,
Planalto em que muitas vezes vislumbrou o nosso progresso,
Planalto, cume nacional...

Planalto do Parlatório, onde fez seu ultimo discurso seleto
Falando a Nação e aos eleitos do Congresso.

Em fim, chegaram no Palácio da Alvorada
Onde demonstrando um especial carinho
Falou ao amigo sobre sua segunda morada.
O Catetinho foi à primeira morada Oficial
Lugar em que para todos nós significa o marco inicial

O início da historia que fez de Brasília
Dentre todas, a mais linda Capital.
Ele voltou!

Voltou..., e depois de tanto nos dar de si de forma paternal,
Foi ceifado abruptamente em um acidente fatal.
Ele, Diamantina nos doou para ficar...

Hoje, junto ao Marco da Cruz podemos lhe encontrar,
No justo e merecido memorial
Denominado JK

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