Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

É, vamos com a criatividade...

Ministro quer lei para regulamentar diploma de jornalista

Por Luciane Evans e Ingrid Furtado - Estado de Minas

Um dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) abolir a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, defende que o Congresso aprove lei que exija o curso superior para exercer o jornalismo. Segundo ele, basta que um parlamentar tome a iniciativa para que a questão comece a ser discutida. Costa afirma que, como há muitos questionamentos sobre o tema, a Casa precisa entrar no debate. "O Supremo decide apenas se a questão é inconstitucional ou não. Mas acredito que o Congresso é o fórum ideal para discutir o assunto e não a Justiça. Vale a pena encontrar um caminho para oficializar a importância do diploma”, observou. No entanto, há correntes que afirmam que a decisão é irreversível. Para o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, será preciso “muita criatividade” para mudar a situação.

O ministro reforça que o jornalismo trata de assuntos sensíveis e que, em função disso, pode ser comparado a outras profissões que têm grande necessidade do diploma. “Eu me formei nas redações de jornais e por isso mesmo acredito que o ambiente acadêmico é fundamental. Antigamente, aprendíamos tudo nas redações, pois não havia faculdades. Mas a situação hoje é completamente diferente. A pressão é muito maior. O jornalismo é mais sofisticado e, por isso, exige uma formação apropriada”, diz Costa. Ele sugere que, inicialmente, sejam feitas audiências públicas com a participação da categoria, deputados e senadores com o objetivo de estruturar uma lei que regulamente a profissão.

Costa disse ainda não ter considerado um deboche a declaração do presidente do STF, Gilmar Mendes, que comparou a profissão de jornalista com a de um cozinheiro. "Não acho que ele quis debochar. Mas é uma comparação infeliz”, completou.

Sem a obrigatoriedade do diploma para o profissional de imprensa, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) vai interpelar o Ministério do Trabalho sobre os critérios necessários para exercer a profissão. A federação marcou também uma reunião no mês que vem, em São Paulo, com representantes de todos os sindicatos da categoria para discutir estratégias para tentar anular a decisão do Supremo.

Para o presidente da Fenaj, Sérgio Murilo de Andrade, a determinação do STF é irresponsável. “É natural que quando uma categoria perde a identidade, como ocorreu, ela fique mais fragilizada e, por isso, é mais fácil que as condições trabalhistas conquistadas ao longo de 40 anos sejam ignoradas. A decisão significa que uma pessoa analfabeta pode também ser jornalista. Isso é um absurdo”, afirma Andrade. Ele defende a necessidade de criar um conselho federal que organize e mobilize a categoria. “Há teorias e ética específicas sobre o jornalismo que não se aprendem da noite para o dia”, defende o jornalista.

Leia também: STF vai decidir se cobra diploma de seus jornalistas

Especialistas no mercado de trabalho estão divididos quanto à decisão do supremo mas afirmam que mudanças mais drasticas vão ocorrer somente a médio e a longo prazo. Para o técnico da pesquisa de emprego e desemprego da Fundação João Pinheiro, Plínio de Campos Souza, a não exigência do diploma significa aumento da concorrência. “Obviamente, vai ocorrer a elevação dos possíveis concorrentes para uma vaga de jornalista, pois a falta de regulamentação significa a perda de reserva de mercado. Mas ainda é difícil prever o impacto dessa medida”, afirma o pesquisador. Ele acredita que será muito mais difícil que um profissional de outra área consiga uma vaga como jornalista. “Ele terá que ser muito bom mesmo, pois a cultura da necessidade do diploma já é estabelecida no Brasil, mesmo com a negativa do Supremo. Por isso, vai demorar para essa lógica mudar”, afirma o especialista.

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