Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

sábado, 30 de maio de 2009

Um eficiente físico, um deficiente físico.

Foto: Kim Shiflett / NASA
Foto: Peter Kelemen / Flickr










Sthephen W. Hawking ganhou notoriedade mundial pela sua eficiência como físico. E não pela sua deficiência física. Ele é reconhecido por ocupar a cadeira de Isaac Newton, em Cambridge. E não por ocupar uma cadeira de rodas.
(Detalhe de anúncio do Lar Escola São Francisco, em São Paulo).

O planeta Terra tem 15 bilhões de habitantes. Cerca de 600 milhões destes indivíduos possuem uma ou outra deficiência: física, auditiva, visual ou mental. Aproximadamente 80% deles vivem em países em desenvolvimento, como o Brasil.

Por Gladis Maia

A OMS, Organização Mundial da Saúde revela que 98% destas pessoas são totalmente negligenciadas. A mesma pesquisa dá conta de que provavelmente um terço delas seja de crianças.

Na maioria dos países em desenvolvimento inexiste sistema gratuito de saúde ou de seguridade social capaz de atender a demanda exigida por qualquer tipo de deficiência. Baseada nestas circunstâncias, a OMS estima que 90% das crianças com deficiência não atingirão 5 anos de idade.

As estatísticas nos dizem ainda que, ao ser concebido, cada ser humano tem 3% de possibilidade de nascer com algum tipo de comprometimento, em maior ou menor grau.

Considere-se também que, ao longo de nossas vidas, mesmo tendo nascido normais, corremos o risco de nos tornarmos deficientes em alguma área, se tivermos alguma doença debilitante, como por exemplo: a paralisia infantil, a meningite, o diabetes, um derrame cerebral, um aneurisma, ou se sofrermos algum acidente grave, que resulte num AVC...

Diante destes dados, é bom olhar com respeito e solidariedade para os portadores de necessidades especiais, se não por humanidade, porque poderemos estar olhando para o nosso futuro ou de algum descendente, que ainda nem chegou a esta sociedade que insiste em ser segregacionista e preconceituosa...

Quem não lembra do ator Christopher Reeve, que interpretava o Super-homem e ficou tetraplégico ao cair de um cavalo? Longe das telas, ele tornou-se um dos principais ativistas na luta pelo direito à reabilitação de todos os cidadãos que se tornaram deficientes.

E do João do Pulo, atleta olímpico brasileiro, que perdeu a perna num acidente de carro?

E o compositor e músico Herbert Viana, do Paralamas do Sucesso, que teve aquele acidente de avião ? E tantos outros que não são famosos, não?

Consideremos outros cidadãos, por demais conhecidos nossos: o grande físico Albert Einstein, que descobriu a teoria da relatividade, entre tantos outras produções científicas, não falou até os 4 anos de idade e só foi ler aos 11 ...

Bethoven, que deixou-nos uma obra musical das mais valiosas sobre a face da terra, era surdo...

Thomaz Edson, o inventor da lâmpada, foi retirado da Escola (que o considerava anormal, por possuir uma cabeça muito grande) e sua mãe passou a ensiná-lo em casa...

Aghatha Cristie, a mais famosa escritora policial de todos os tempos, ditava seus best-sellers para um gravador ou para uma secretária, por ser portadora de dislexia, tendo uma extrema dificuldade de escrever...

Assim como Tom Cruise, dislexo com problema na área da leitura, que decora seus papéis também com o auxílio de um gravador...

Luiz Brailler, o inventor do método que leva o seu nome, era cego...

O artista plástico mineiro, Francisco Lisboa, conhecido como Aleijadinho, produziu a mais monumental obra escultural em pedra, de que se tem notícia no Brasil, com os tocos de mãos (destruídas pela lepra, que lhe decepou também as pernas) enrolados em panos...

Evidente que nem todo o deficiente é um gênio, mas entre os ditos normais a percentagem não é maior ...

Percebam o quanto é apaixonante o tema inclusão, nós os humanos somos seres muito especiais, com ou sem genialidade, lutemos para que ela se instale em todos os recantos da sociedade, sobremaneira nas escolas, preventivamente, evitando que se instale ainda na infância o preconceito, contra seu semelhante.

Lembremos que o conceito de deficiência está diretamente relacionado com as limitações do indivíduo e as barreiras impostas a ele pelo meio ambiente. Ah, se elas ruirem por desuso...

Gladis Maia é jornalista.

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