Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sobre a questão do Petróleo

=> Recebi o e-mail abaixo do meu amigo Freitas e, dada sua enorme importância, o reproduzo aqui sem cortar uma linha.

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Minha amiga!

Ana Helena

Petrobrás, essa eu conheço, pois trabalhei no 3º. Pólo Petroquímico em Canoas - RS e nas plataformas de Paranaguá - PR. Esse imensurável patrimônio do B R A S I L! Não pode ser manipulado por essa casta de irresponsáveis.

Forte abraço e um bom dia!

E. Freitas

Para ser realmente estratégica a Petrobras deve se adequar a um novo marco regulatório, ser re-estatizada e a famigerada LEI Nº 9478, DE 06 DE AGOSTO DE 1997 deverá ser revogada. Assim deseja uma parcela imensa do povo brasileiro e principalmente os funcionários da Petrobras. Leiam o artigo do Sr. José Carlos Moutinho (abaixo transcrito), que aborda o tema em questão e que rebate o artigo reacionário do jornal O Globo. Saudações Jacob David Blinder.

CACOETE NEOLIBERAL

AEPET - BRASIL

O jornal `O Globo` está retomando o seu `cacoete neoliberal` ao reeditar uma verdadeira campanha contra a Petrobrás, empresa que orgulha os brasileiros, responsável por bilionários investimentos no País e descobridora do Pré-Sal, que poderá ser a redenção do Brasil. Mas o `O Globo`, entre outros jornais que se impressionam muito com as teses estrangeiras, resolveu tentar, no dia 07/05, em seu editorial `Cacoete estatista, manchar a imagem daquela que hoje é considerada a quarta empresa mais respeitada do mundo, segundo a pesquisa divulgada pelo Reputation Institute (RI), empresa privada de assessoria e pesquisa, com sede em Nova Iorque. O ranking relaciona 200 grandes empresas do mundo e é realizado anualmente desde 2006.

O presidente da AEPET, Fernando Leite Siqueira, comentou o estardalhaço que o `O Globo` e a imprensa vem fazendo em relação a diversos eventos envolvendo a Petrobrás. Siqueira disse que a Petrobrás, ao recorrer, por exemplo, à Caixa Econômica Federal para adquirir financiamento para projetos no setor petróleo, fez o que toda empresa de grande porte faz, para manter capital de giro em determinados momentos.

Sobre o editorial de `O Globo` (leia abaixo), Siqueira selecionou o parágrafo final: `Se vier a seguir por esse caminho, o governo estará trocando um modelo vitorioso (que proporcionou a descoberta dos reservatórios do pré-sal) por algo duvidoso, por causa de um velho cacoete estatizante, sempre acompanhado da febre do empreguismo` .

Siqueira comentou: Essa é uma falácia brutal. Primeiro, porque o novo modelo, com as empresas estrangeiras, não proporcionaram descoberta coisíssima nenhuma. A Petrobrás pesquisa o Pré-Sal há 30 anos. E o que possibilitou a efetivação da descoberta foi a tecnologia de sísmica de três e de quatro dimensões, que permitiram o acesso mais preciso numa perfuração do primeiro poço, que custou US$ 260 milhões. Como o risco era muito alto, era preciso ter uma precisão muito grande para ter acesso a um reservatório que o corpo técnico da estatal estudava`.

Siqueira destacou ainda que, antes, a camada de sal atrapalhava um pouco os ecos-acústicos da sísmica. `Não houve participação tecnológica de nenhuma empresa estrangeira neste processo`, reforçou o engenheiro. Ao contrário, elas pegaram carona no conhecimento da Petrobrás. Já a Lei 2004/53, até ser substituída pela Lei 9478/97, completou Siqueira, permitiu a descoberta do petróleo no Brasil, trouxe a autossuficiência, permitiu a descoberta do Pré-Sal, onde a Petrobrás correu todos os riscos, não tem mais outros para ocorrer naquela área. `Agora que a Petrobrás correu riscos para descobrir, não tem sentido continuar o modelo entreguista que foi estabelecido pela Lei 9478/97, criada no Governo FHC, e que permite a entrega do nosso petróleo às concessionárias que o produzir`. Disse o presidente Lula: `Todas as empresas do mundo que descobriram muito petróleo mudaram o marco regulatório. Só o Brasil não o fez. E tem mais motivos para isto`.

O presidente da AEPET comentou outro estardalhaço feito pela imprensa, que foi quanto à utilização pela Petrobrás da Medida Provisória 2.158/2001, que permitiu às empresas a escolha da melhor forma de se defender da instabilidade e da desvalorização cambial. Por conta disto, a Petrobrás procurou utilizar os benefícios da MP 2.158/2001, para pagar menos impostos. No entanto, completou Siqueira, as multinacionais, notadamente da indústria automobilística, usam brechas da Lei para não pagar impostos. `Essas empresas nunca pagam impostos, pois sempre manipulam a contabilidade e `criam` prejuízos. Os governos estaduais, por exemplo, fazem leilões tributários, onde oferecem menos impostos para a multinacionais se estabelecerem [e quando acaba o contrato, elas se mudam para outro estado], entre outras isenções tributárias brutais a nível nacional. A Ford, por exemplo, conseguiu isenção de impostos, na Bahia, da ordem de US$ 800 milhões. Como pode um país em desenvolvimento como o Brasil, subsidiar uma das maiores montadoras do mundo? Nada disto mereceu o estardalhaço da imprensa, como ocorre no caso da Petrobrás, que é uma empresa com todas as condições de explorar o Pré-Sal e fazer com esta riqueza fique em poder do povo brasileiro. Estão fazendo da Petrobrás uma `Geni` da imprensa brasileira, como disse o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli`.

Siqueira lembrou, também, que na mesma edição do jornal `O Globo` (07/05/09), na matéria intitulada `Petrobrás e Vale entre as 10 mais do futuro`, mais isenta, há uma informação de que o banco norte-americano Goldman Sachs apresentou relatório técnico de que a Petrobrás, além de ser considerada uma das dez empresas mais viáveis do planeta, no futuro, `será talvez a mais bem posicionada companhia de petróleo do mundo quando vier o próximo ciclo de alta de preços`. O Goldman destacou, também, que a Petrobrás e a Companhia Vale do Rio Doce se destacaram, por possuírem enormes reservas de recursos estratégicos, como petróleo e minério de ferro de Carajás, que cresce de importância tendo em vista a previsão de crescimento da população, que aumentará de 6,8 bilhões para 9 bilhões em 2050, conforme informou a mesma matéria. `Hoje a Petrobrás está em quarto lugar entre as 200 empresas mais importantes do Planeta. Então, por que seria retrocesso o governo dar à Petrobrás o controle do Pré-Sal, se foi ela quem investiu, correu todos os riscos e aquela rica região não tem mais risco nenhum?`, ponderou Siqueira.

José Carlos Moutinho (jornalista da AEPET)


CACOETE ESTATISTA

Editorial de O Globo em 07/05/2009

O teste de longa duração oficialmente iniciado no dia 1º de maio no campo de Tupi responderá na prática às dúvidas técnicas que a Petrobras e seus parceiros têm sobre o comportamento dos reservatórios gigantes descobertos na camada de pré-sal, em águas ultraprofundas da Bacia de Santos.

Durante 15 meses, a produção será da ordem de 30 mil barris diários de petróleo leve. O passo seguinte será a instalação de um projeto piloto no campo para a produção de 100 mil barris diários já no começo da próxima década.

São enormes as esperanças dos especialistas envolvidos na exploração e no desenvolvimento das áreas descobertas na camada de pré-sal. Se confirmadas essas expectativas, somente a produção do pré-sal alcançará o volume de 1,8 milhão de barris por dia, equivalente a quase toda a produção atual. A Petrobras levou mais de 40 anos para atingir esse mesmo volume em vários campos simultaneamente, e agora se acredita que o mesmo feito poderá ocorrer em doze anos devido à potencialidade do pré-sal.

A dimensão das descobertas na Bacia de Santos acabou provocando uma interrupção nas licitações para exploração de novos blocos em áreas do pré-sal porque o governo pretende rever o modelo de concessão.

Embora sejam muito fortes os argumentos em favor da manutenção das regras atuais, com ajustes aceitáveis no caso de se confirmarem as expectativas de alta produtividade dos poços no pré-sal, o governo parece seduzido a adotar um modelo de partilha, pelo qual a empresa produtora entregaria à União parte do volume de óleo e gás extraídos, em vez de pagamento de determinado percentual do valor da produção.

Esse modelo implica criar alguma estrutura governamental para recebimento dos hidrocarbonetos e posterior revenda, cogitando-se até mesmo na formação de uma companhia 100% estatal para exercer tal função.

Se vier a seguir por esse caminho, o governo estará trocando um modelo vitorioso (que proporcionou a descoberta dos reservatórios do pré-sal) por algo duvidoso, por causa de um velho cacoete estatizante, sempre acompanhado da febre do empreguismo.

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