Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

sábado, 9 de maio de 2009

O SUJEITO NA ESQUINA TAMBÉM ESTÁ SE LIXANDO PARA A OPINIÃO DO GILMAR MENDES

Gilmar Mendes e seu arrogante desprezo pelo "sujeito na rua"
Por Celso Lungaretti

"Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus"
("Sermão da Montanha", Mateus, V, 1-12)


Durante o Governo Sarney, quando se lançavam pacotes econômicos um após outro, percebi que, ao invés de me fiar nos doutos economistas e nos pretensiosos analistas da imprensa, era melhor perguntar ao sujeito na esquina o que resultaria de cada conjunto de medidas anunciado.

Falava com donos de lojas, gerentes de banco, sindicalistas, trabalhadores, consumidores. Juntando as peças do quebra-cabeças, ficava conhecendo a avaliação do mundo real e nela me baseava para fazer meus prognósticos. Nunca falhava.

Já a torre de marfim de Brasília ignorava o que todo sujeito na esquina sabia, como a quantidade imensa de cheques predatados em circulação. Então, certa vez as autoridades econômicas concederam um mísero punhado de dias para os correntistas depositarem todos os predatados que tinham em seu poder, caso contrário perderiam a validade.

Resultado: as agências bancárias do Brasil inteiro ficaram entupidas de clientes da manhã à noite (o expediente bancário teve de ser estendido). Nunca se vira tamanho caos -- que o sujeito na esquina, obrigado a viver com os pés no chão, jamais causaria. Só os que têm a cabeça nas nuvens infligem tais transtornos aos cidadãos comuns.

O olímpico desprezo com que Gilmar Mendes acaba de se referir ao sujeito na esquina, como alguém para cuja opinião os juízes devem se lixar, é mais um motivo para que ele seja expelido o quanto antes da presidência do STF.

Platão já se referia ao senso inato de justiça do qual todo ser humano é dotado.

E a melhor prova disto é o fato de os sujeitos na esquina já terem percebido que Gilmar Mendes, ele sim, não deve ser levado a sério, pois padece de uma compulsão adquirida que o leva a sempre favorecer os poderosos, as posições conservadoras e os interesses reacionários.

Até o mais ignaro sujeito na esquina sabe que o primeiro requisito para um magistrado é a isenção, a imparcialidade. Exatamente o que Mendes jamais demonstrou ter.

Não é por acaso que que carrega o discutível apanágio de presidente mais contestado da história do Supremo.

Celso Lungaretti é jornalista, escritor e ex-preso político.

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"O discípulo não supera o mestre, o complementa" (Luciene Félix, profª de filosofia da Escola Superior de Direito Constitucional - SP)

"A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro."
(Platão)

"A amizade é mais importante do que a justiça, porque onde houver amizade, a justiça já está feita."(Aristóteles)

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