Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Nos traços da história: 1972 e seu Festival da Farsa

Objetivo: Fraudar o resultado do VII Festival Internacional da Canção

Conspiradores: Regime militar brasileiro e a direção do evento

Quando: 1972

Na virada dos anos 60 para 70, em plena ditadura militar, um dos eventos mais populares no Brasil era o Festival Internacional da Cancão (FIC), que rolava no Rio, com a participação de grandes nomes da música. Transmitida pela TV Globo, ao longo dos anos a disputa foi palco de várias polêmicas, como a censura de canções pelo governo. Mas, em 1972, os milicos foram mais longe e, junto com a direção do evento, fraudaram o resultado do FIC. O estopim do complô foi uma entrevista em que a cantora Nara Leão, presidente da comissão julgadora, malhou os militares. Eles exigiram a destituição do júri - que, ainda por cima, defendia a vitória da música "Cabeça", de Walter Franco, uma canção de vanguarda e nada comercial, o que já não estava agradando à emissora, preocupada com a audiência.* Na final do evento, o escritor Roberto Freire, um dos jurados destituídos, tentou até ler um manifesto denunciando a farsa, mas foi arrastado do palco por policiais e espancado. A vencedora, escolhida pelo júri imposto pelos militares, acabou sendo "Fio Maravilha", de Jorge Ben.

Saiu na revista "Mundo Estranho", nº 87, Maio 2009.

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*Lá estava a Globo com seus interesses comerciais...

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