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sábado, 23 de maio de 2009

BOLÍVIA: GOVERNO AUTORIZA ABERTURA DE ARQUIVOS MILITARES

LA PAZ, 20 MAI (ANSA) - O governo boliviano autorizou as Forças Armadas a abrir seus arquivos aos familiares de pessoas desaparecidas durante a ditadura militar, em resposta ao pedido de três mulheres que completaram hoje 16 dias de greve de fome.

Segundo a resolução do Ministério da Defesa, o comando-em-chefe das Forças Armadas "deve facilitar o acesso" dos familiares e das vítimas das ditaduras aos "seus arquivos, registros públicos e documentos vinculados ao assunto".

As pessoas que justificarem "interesse legítimo" para ter acesso a esses arquivos e forem autorizadas poderão revisá-los na presença de representantes de associações de direitos humanos, do Ministério da Justiça e de um tabelião.

A resolução foi aprovada hoje, após a pressão gerada pela greve de fome de Olga Flores, de 52 anos, irmã de Carlos Flores Bedregal, assassinado e desaparecido durante o golpe militar liderado pelo general Luís García Mesa, em 17 de julho de 1980.

Com Flores Bredegal foi assassinado Marcelo Quiroga Santa Cruz, fundador do Partido Socialista. Os restos de ambos foram enterrados em um lugar que os militares mantêm em segredo até hoje.

Martha Montiel, de 47 anos, filha de Sergio "Pablo" Tirso Montiel, assassinado em 31 de agosto de 1970 durante o regime militar de Alfredo Ovando, e Hortênsia Gutiérrez, de 68 anos, que pede os restos de seu marido, Rodolfo Flores Santillán, morto em 21 de agosto de 1968, quando o general René Barrientos Ortuño estava no poder, também iniciaram greves de fome.

No entanto, na semana passada, o presidente Evo Morales (foto) declarou que "não existem arquivos" militares sobre estes casos, portanto não haveria "nenhum documento a ser aberto", em resposta ao pedido das três mulheres.

Ontem, em apoio às bolivianas, centenas de pessoas portaram velas durante uma vigília feita na sede do comando das Forças Armadas, onde supostamente foram levados Quiroga Santa Cruz e Flores Bredegal no dia do golpe que destituiu a ex-presidente Lydia Gueiler.

Ao anunciar a resolução do governo, o ministro de Defesa, Walker San Miguel, disse esperar que este "procedimento seja imediato", porque o governo "é o primeiro interessado nos esclarecimentos destes episódios".

Segundo a Assembleia Permanente de Direitos Humanos da Bolívia, 152 pessoas figuram na lista de presos desaparecidos desde 1964, quando um golpe de Estado deu início a uma série de ditaduras militares que terminaram apenas em 1982. (ANSA)
20/05/2009 17:46

Matéria veiculada pela Agência ANSA

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Uma importante colaboração para este blog enviada pelo meu amigo Freitas.

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