Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

sábado, 4 de abril de 2009

4 de abril de 1968 — O sonho de Luther King

Imagem: capa do JB sobre o assassinato
de Martin Luther King / Acervo CPDoc JB
O discurso mais famoso do líder pacifista negro Martin Luther King, "I have a dream", (Eu tenho um sonho), foi proferido em 1963 em frente ao monumento em homenagem ao presidente Abraham Lincoln, em Washington. Luther King referia-se ao seu desejo de que no futuro as pessoas nos Estados Unidos tivessem tratamento igualitário. Naquele dia o líder negro discursou para cerca de 250 mil manifestantes vindos de todo o país, para reivindicar seus direitos a liberdade, trabalho, justiça social e pelo fim da segregação racial.

A marcha foi organizada pelo próprio Luther King, que iniciou sua luta pelos direitos civis em 1955 depois que Rosa Parks recusou-se a ceder o seu lugar no ônibus a um homem branco, conforme determinava a lei estadual do Alabama. O pastor abraçou a causa de Rosa Parks e liderou um boicote ao transportes público, que ao fim de 382 dias derrubou a lei racista.

Em 1959, Luther King visitou a Índia para conhecer melhor o significado de Satyagraha, o princípio de persuasão não violenta empregada por Gandhi na luta de independência daquele país.

O líder negro sabia do ódio que despertava nos racistas e um dia antes de morrer assassinado fez um discurso sobre as ameaças que recebia: "Temos de enfrentar dificuldades, mas isso não me importa, pois eu estive no alto da montanha. Isso não importa. Eu gostaria de viver bastante, como todo o mundo, mas não estou preocupado com isso agora. Só quero cumprir a vontade de Deus, e ele me deixou subir a montanha. Eu olhei de cima e vi a terra prometida. Talvez eu não chegue lá, mas quero que saibam hoje que nós, como povo, teremos uma terra prometida. Por isso estou feliz esta noite. Nada me preocupa, não temo ninguém. Vi com meus olhos a glória da chegada do Senhor".

Morte provoca tumulto nas ruas
Martin Luther King foi assassinado em Memphis onde havia ido para apoiar uma manifestação de trabalhadores por melhores salários. Assim que a notícia da morte do líder negro se espalhou mais de 110 cidades dos Estados Unidos mergulharam no caos. Confrontos eclodiam de todas as partes, com tumultos, bombas, incêndios e saques.

A violência desenfreada levou à convocação da Guarda Nacional e até mesmo do Exército em alguns municípios. A situação mais grave foi registrada em Washington, que virou um campo de batalha na noite em que o líder negro foi morto.

Saiu no JB de hoje, 4 de Abril de 2009.

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