Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

terça-feira, 24 de março de 2009

Que país é este?

Foto: Ana Helena Tavares

O ônibus balançava e a foto ficou tremida, mas eu não podia deixar de fazer algum registro. Ontem, 23/03/2009, já chegando à faculdade onde estudo em Botafogo e sem saber que naquele mesmo momento os tiros corriam soltos em Copacabana, assisti a algo pra mim inédito e no mínimo sugestivo. Um rapaz bem vestido, bem cuidado, entra no ônibus com seu violão e diz: "Com licença, senhores passageiros, gostaria de mostrar meu trabalho". Depois desanda a tocar e cantar "Que país é este?" para um ônibus quase vazio e em meio ao barulho ensurdecedor de um túnel como o Santa Bárbara. Quem o ouvia? Para quem ele cantava? Difícil dizer, mas lá estava ele, com uma vitalidade que já valia as palmas. É, este país precisava de muito mais gente assim.

Para ler crônica que escrevi sobre o episódio, clique aqui.

2 comentários:

Tatiane disse...

tem uma frase do nietzsche(acho)que diz:"temos a arte para que a verdade nao nos destrua.." Esta na minha mesa de trabalho....Acho que era essa a intencao do menino, destruir a realidade cinza,romper o cotidiano comum...Sempre achei que essa alma de artista era,nao poderia deixar de ser,forte, porque demandava uma certa dose de loucura e uma maior de coragem para se lançar ao desafio..Ja pensou adentrar um onibus com um violao na mao?ainda mais em tempos de politica " de confronto",como tanto gosta nosso governador....abraços p/ vc ...Tatiane Mendes

Ana Helena Ribeiro Tavares disse...

Com certeza, é preciso mesmo muita coragem e, só por isso, já merece todos os nossos aplausos. Valeu pelo comentário, Tatiane.

"O discípulo não supera o mestre, o complementa" (Luciene Félix, profª de filosofia da Escola Superior de Direito Constitucional - SP)

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(Platão)

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