Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

domingo, 21 de dezembro de 2008

A sociologia de Noel

Para malhar o bom velhinho

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa experimenta um forte processo de "americanização". A reconstrução do velho continente significaria a implementação, goela abaixo, do famigerado "american way of life".

Foi exatamente contra esse estilo de vida, que no Natal de 1951, em Dijon, na França, um grupo de padres promoveria o suplício de um boneco de Papai Noel. Diante de várias crianças de um orfanato, com grande estrondo, os sacerdotes enforcaram e queimaram o velho e bom velhinho.

A malhação de Noel aconteceu no centro de uma discussão apaixonada, que acabaria tomando conta de todo o país. Por que os franceses deveriam americanizar os festejos natalinos?

Desde o final da guerra, Papai Noel e a troca de presentes ganhavam enorme espaço no país, onde tradicionalmente celebrava-se somente o nascimento de Cristo.

O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss que, durante a década de 30, esteve no Brasil lecionando sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo, participaria da discussão do episódio de Dijon, escrevendo o ensaio "O Suplício do Papel Noel", que a editora paulistana CosacNaify acaba de publicar.

A matéria foi originalmente publicada hoje, 21 de Dezembro, pelo jornal "O Tempo", de Minas Gerais.

Nenhum comentário:

"O discípulo não supera o mestre, o complementa" (Luciene Félix, profª de filosofia da Escola Superior de Direito Constitucional - SP)

"A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro."
(Platão)

"A amizade é mais importante do que a justiça, porque onde houver amizade, a justiça já está feita."(Aristóteles)

Este blog adota a