Quero ser Ricardo Kotscho para andar pela rua e não me acomodar num computador. Quero ser Robert Fisk para guerrear pela paz tendo como arma um microfone. Quero ser Hélio Fernandes para me libertar pelas grades e não me prender a cifrões. Quero ser Gay Talese para cuidar de cada palavra e ser sensível ao sentimento das pessoas. Quero ser Zuenir Ventura para escrever as minhas histórias dos outros. Quero ser Alberto Dines para observar a mim mesma. Quero ser John Reed para narrar dias que abalaram o mundo. Quero ser muitos. Eu mesma. Sou um ser em construção.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Decálogo do Leitor, por Alberto Mussa

I - Nunca leia por hábito. Leia por vício. A leitura amplia a compreensão do mundo, aprimora a capacidade de expressão, diminui a ansiedade. Mas é essencialmente lúdica, como devem ser as coisas que nos dão prazer.

II - Comece a ler desde cedo. E comece pelos clássicos.

III - Nunca leia sem dicionário. Se estiver fora de casa, anote as palavras que você não conhece, para consultar tudo depois. Elas nunca são escritas por acaso.

IV - Perca menos tempo diante do computador, da televisão e estabeleça metas. Se puder ler um livro por mês, dos 16 aos 75 anos, você terá lido 720 livros.

V - Faça do livro um objeto íntimo. Escreva nele: assinale as passagens emocionantes. O livro é o mais interativo dos objetos. Você pode avançar e recuar, folheando e ele vai com você a todos os lugares.

VI - Leia sempre literatura brasileira: ela está entre as grandes.

VII - Das letras européias e da América do Norte vem a maioria dos nossos grandes mestres. A literatura hispano-americana é indispensável. Busque também o diferente: há grandezas literárias na África e na Ásia. Volte à Idade Média, ao mundo árabe, aos clássicos gregos e latinos. Chegue, finalmente, às mitologias dos povos ágrafos, mergulhe na poesia selvagem. São eles que estão na origem de tudo; é por causa deles que estamos aqui.

VIII - Tente evitar a repetição de temas, estilos e autores. A grande literatura está espalhada por romances, contos, crônicas, poemas e peças de teatro. Nenhum gênero é, em tese, superior a outro.

IX - Não tenha pena de abandonar pelo meio os livros desinteressantes.

X - Forme o seu próprio cânone. Se não gostar de um clássico, não se sinta menos inteligente. E faça o seu próprio decálogo: neste momento, você será um leitor.

Alberto Mussa é escritor carioca.

Este texto foi originalmente publicado na revista "Nós da Escola", edição 59, ano 2008.

Nenhum comentário:

"O discípulo não supera o mestre, o complementa" (Luciene Félix, profª de filosofia da Escola Superior de Direito Constitucional - SP)

"A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro."
(Platão)

"A amizade é mais importante do que a justiça, porque onde houver amizade, a justiça já está feita."(Aristóteles)

Este blog adota a