"O discípulo não supera o mestre, o complementa" (Luciene Félix, profª de filosofia da Escola Superior de Direito Constitucional - SP)

"A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro."
(Platão)

"A amizade é mais importante do que a justiça, porque onde houver amizade, a justiça já está feita."(Aristóteles)

Blog Translation

"Qual a bandeira de quem faz sempre oposição a tudo? Podem dizer: jornalista não tem que ter bandeira… É lindo isso, mas ele tem, ainda que não deva hasteá-la no terraço do seu prédio." ("Para derrubar o presidente que eu nunca quis ser")

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

PM DETERMINA: FAVELADO NÃO TEM DIREITO AO LAZER

INACREDITÁVEL, INACEITÁVEL, INQUALIFICÁVEL!

"Podem me prender
Podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro
Eu não saio, não"
("Opinião", Zé Keti)

Por Celso Lungaretti

Frequentemente recebo mensagens me cobrando posicionamento tão incisivo contra a ditadura e as torturas do presente quanto os que eu assumo em relação às dos anos de chumbo.

Quem viveu aquele período de arbítrio e atrocidades, sabe que a barra pesava muito, muitíssimo mais.

Mesmo assim, é chocante que, depois de tanta luta para trazermos o Brasil de volta para a civilização, o cidadão comum continue tão impotente para influir nos destinos do País, a imprensa tão blindada contra versões/interpretações alternativas e os direitos civis tão impunemente atingidos (ainda mais quando a vítima é a população carente!).

Assim, a imprensa hoje (3ª, 14) noticia que a Polícia Militar do Rio de Janeiro vai impedir pela força a realização de bailes funk nas favelas. Alega que não consegue coibir o tráfico de drogas sem pisotear o direito dos favelados ao lazer.

Como motivo imediato, apresenta um episódio que evidencia, isto sim, abuso de autoridade e incompetência criminosa de sua parte: desencadeou uma operação repressiva para prender traficantes em meio a um baile no Morro dos Macacos (lá na Vila Isabel do saudoso Noel) e acabou travando tiroteio com eles, no último sábado.

Saldo: três mortos e seis feridos. Quem não tinha culpa no cartório pegou as sobras, como sempre. Caso de uma moradora de 35 anos.

Se o preço para prender traficantes é colocar inocentes em risco, a PM jamais, JAMAIS!, deve fazer tal opção.

A intervenção policial em meio a uma multidão de civis só se justifica quando há violência sendo cometida. Meras detenções podem ser deixadas para depois, pois a vida dos inocentes é SEMPRE o valor supremo a ser respeitado.

Só autoridades extremamente tacanhas e despreparadas para atuar numa democracia podem supor que a proibição do lazer, além de juridicamente aberrante, traga algum benefício concreto.

"O que radicalizou o funk foi a proibição, nos anos 90, de os clubes terem festa. O baile foi para dentro da comunidade, e a favela passou a falar para a favela: as pessoas falam sobre o que vivem. O preconceito é com o funk, como antigamente o sambista era preso. A favela não pode se expressar", queixou-se, com inteira razão, o presidente de uma associação funkeira.

E uma ex-vereadora completou: "O que vão fazer 20 mil pessoas que não têm direito a lazer?".

Se depender da PM, ficarão escondidas em seus barracos, pisando em ovos para não despertar a ira dos fardados, exatamente como os judeus viviam nos guetos em que os nazistas os confinavam.


Celso Lungaretti é jornalista e escritor.

"Mas, se erques da justiça a clava forte / verás que um filho teu não foge à luta / nem teme / quem te adora / a própria morte!"



Há cem anos estas palavras foram escritas. E eu, apesar de tudo, quero dizer que continuo acreditando nelas.


Saiba mais sobre a história do Hino Nacional Brasileiro

Há exatos 220 anos caia a Bastilha e o povo francês pedia...

Liberdade,
Igualdade
e Fraternidade!

Será pedir muito?

Parabéns, Theatro Municipal! Uma centenária maravilha do Rio!

Assista a uma palhinha do dia em que Ana Botafogo e Carlinhos de Jesus se encontraram no palco do Theatro


Saiba como foi o dia em que, há exatos cem anos, o Theatro Municipal abria-se ao público

Documento histórico: clique na imagem para ler

Texto do CPDoc /JB


"Hoje, 14 de Julho de 1909, às oito e meia da noite, abrem-se as portas do Teatro Municipal, pela primeira vez, para um espetáculo. O programa já o publicamos, mas não é demais repeti-lo. A saber: 1ª parte – Hino nacional, à chegada do senhor presidente da República; discurso oficial, pelo senhor Olavo Bilac; Insomna, poema sinfônico do maestro senhor Francisco Braga. 2ª parte – Bonança, comédia em um ato, original do senhor Coelho Neto, pela companhia Arthur Azevedo. 3ª parte – Moema, ópera do maestro senhor Delgado de Carvalho, cantada por artistas do Centro Lírico Brasileiro, sob a regência do maestro senhor Francisco Braga" (Jornal do Brasil).

O Rio ainda não era a Paris dos sonhos brasileiros, mas, com uma memorável programação genuinamente nacional, inaugurava uma casa de espetáculos à altura das melhores da Europa: o Teatro Municipal. Localizado no coração da cidade, fez ele parte do audacioso projeto de urbanização republicano para a então capital do Brasil. Durante sua gestão, o prefeito Pereira Passos (1902-1906) promoveu uma grande modernização do centro da cidade, abrindo a Avenida Central, moldada à imagem dos boulevards parisienses e ladeada por magníficos projetos de arquitetura eclética.

Foi nesse contexto que figurou a construção de um novo teatro, ao fim de uma concorrência pública para a seleção do projeto arquitetônico. Desse empreendimento saiu vitorioso o que foi idealizado por Francisco de Oliveira Passos (curiosamente, filho do prefeito), que contou com a colaboração do francês Albert Guilbert. Depois de 54 meses de obras, surgiu o Teatro Municipal, inspirado no design do Teatro da Ópera Charles Garnier de Paris. A casa imponente e sofisticada, finamente decorada, tornava-se marco de novos tempos para a vida cultural da capital brasileira.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Nos traços da história: 13 de Julho de 1973 - O samba chorava a morte de Cyro Monteiro

Cyro Monteiro por Chico Buarque


Chico Buarque por
Cyro Monteiro



Saiba mais sobre o talento de Cyro Monteiro

Lugar de jornalista é na rua!

A magia do jornalismo

Por Carlos Alberto Di Franco

Gay Talese, um dos fundadores do New Journalism (novo jornalismo), uma maneira de descrever a realidade com o cuidado e o talento de quem escreve um romance, foi a grande estrela da Festa Literária Internacional de Paraty. Sua crítica da mídia pode parecer radical e ultrapassada. Mas não é. Na verdade, Talese é um enamorado do jornalismo de qualidade. E a boa informação, independentemente da plataforma, reclama talento, rigor e paixão.

Segundo Talese, a crise do jornalismo está intimamente relacionada com o declínio da reportagem clássica. "Acho que o jornalismo e não o 'Times', está sendo ameaçado pela internet", disse Talese à revista "Época". "E o principal motivo é que a internet faz o trabalho de um jornalista parecer fácil. Quando você liga o laptop em sua cozinha, ou em qualquer lugar, tem a sensação de que está conectado com o mundo. Em Pequim, Barcelona ou Nova York...Todos estão olhando para uma tela de alguns centímetros. Pensam que são jornalistas, mas estão ali sentados, e não na rua. O mundo deles está dentro de uma sala, a cabeça está numa pequena tela, e esse é o seu universo. Quando querem saber algo, perguntam ao Google. Estão comprometidos apenas com as perguntas que fazem. Não se chocam acidentalmente com nada que estimule a pensar ou a imaginar. Às vezes em nossa profissão, você não precisa fazer perguntas. Basta ir às ruas e olhar as pessoas. É aí que você descobre a vida como ela realmente é vivida."

A crítica de Talese, algo precipitada e injusta com o jornalismo digital, é um diagnóstico certeiro da crise do jornalismo impresso. Os jornais perdem leitores em todo o mundo. Multiplicam-se as tentativas de interpretação do fenômeno. Seminários, encontros e relatórios, no exterior e aqui, procuram, incessantemente, bodes expiatórios. Televisão e internet são, de longe, os principais vilões. Será? É evidente que a juventude de hoje lê muito menos. No entanto, como explicar o estrondoso sucesso editorial do épico "O Senhor dos Anéis" e das aventuras de Harry Potter? Os jovens não consomem jornais, mas não se privam da leitura de obras alentadas. O recado é muito claro: a juventude não se entusiasma com o produto que estamos oferecendo. O problema, portanto, está em nós, na nossa incapacidade de dialogar com o jovem real. Mas não é só a juventude que foge dos jornais. A chamada elite, classes A e B, também tem aumentado a fileira dos desencantados. Será inviável conquistar toda essa gente para o mágico mundo da cultura impressa? Creio que não. O que falta, estou certo, é realismo e qualidade.

A receita de Talese demanda forte qualificação profissional. "A minha concepção de jornalismo sempre foi a mesma. É descobrir as histórias que valem a pena ser contadas. O que é fora dos padrões e, portanto, desconhecido. E apresentar essa história de uma forma que nenhum blogueiro faz. A notícia tem de ser escrita como ficção, algo para ser lido com prazer. Jornalistas têm de escrever tão bem quanto romancistas." Eis um magnífico roteiro e um formidável desafio para a conquista de novos leitores: garra, elegância, rigor, relevância.

A revalorização da reportagem e o revigoramento do jornalismo analítico devem estar entre as prioridades estratégicas. É preciso seduzir o leitor com matérias que rompam com a monotonia do jornalismo declaratório. Menos Brasil oficial e mais vida. Menos aspas e mais apuração. Menos frivolidade e mais consistência. Além disso, os leitores estão cansados do baixo-astral da imprensa brasileira. A ótica jornalística é, e deve ser, fiscalizadora. Mas é preciso reservar espaço para a boa notícia. Ela também existe. E vende jornal. O leitor que aplaude a denúncia verdadeira é o mesmo que se irrita com o catastrofismo que domina muitas de nossas pautas.

Perdemos a capacidade de sonhar e a coragem de investir em pautas criativas. É hora de proceder às oportunas retificações de rumo. Há espaço, e muito, para o jornalismo de qualidade. Basta cuidar do conteúdo. E redescobrir uma verdade constantemente reiterada pelo jornalista Ruy Mesquita: o bom jornalismo é "sempre artesanato."


Carlos Alberto Di Franco
é diretor de Master em Jornalismo.


Texto publicado originalmente no jornal "O Globo" de hoje, 13 de Julho de 2009.

Realidades profundas

Traço de mestre

Foto: Luciana Sarmento
Sem colarinho, a espuma mercantil da publicidade

Até que ponto a publicidade, mais do que produtos, vende relações capitalistas que precarizam a vida? Se técnicas de apelo pela imagem, música e embalagem fazem parte da estética da mercadoria, qual a singularidade possível para indivíduos que são validados unicamente por sua capacidade de se definir como consumidores do fetiche?

Gilson Caroni Filho

Os artigos de Emir Sader e Eduardo Galeano, publicados recentemente em Carta Maior, reacenderam um velho debate. Até que ponto a publicidade, mais do que produtos, vende relações capitalistas que precarizam a vida? Não é o caso de pensarmos o marketing apenas como artifício de venda, mas como elemento estruturador de controle social. Se técnicas de apelo pela imagem, música e embalagem fazem parte da estética da mercadoria, qual a singularidade possível para indivíduos que são validados unicamente por sua capacidade de se definir como consumidores do fetiche? Como compradores encantados de produtos que lhes parecem sobre-humanos, destituídos de história.

Há cinco anos, o fascínio do produto sobre o produtor, "a velha consciência invertida de uma realidade invertida" de que nos falou o materialismo histórico, ocupou páginas e telas. Sorrateiramente o discurso publicitário apresentou o estatuto ontológico do homem no consumo espetacular; seu discurso de palavras evanescentes, entrecortadas pelo vazio mercantil. É importante voltar no tempo e resgatar o episódio.

"Corações e Mentes" é o título de um documentário sobre a guerra do Vietnã, exibido nos anos 1970. Fosse produzido no início do século 21, em solo brasileiro, talvez retratasse outro embate: o da guerra das cervejas.

Tudo começou, naquele início de 2004, quando um sambista "abandonou" sua marca preferida de cerveja (Brahma) pela concorrente (Schincariol), aconselhou aos demais a fazerem o mesmo e, sob irrecusáveis três milhões de reais, mudou de opinião e voltou à predileção inicial. A trama, aparentemente banal, é por demais significativa para ser ignorada por quem se propõe a analisar o discurso noticioso em suas interações com o marketing.

Campo tensional por excelência, jornalismo e publicidade sempre viveram uma relação de complementaridade conflitante. Se a convivência era necessária, em que momento haveria o risco de um vir a ser confundido com o outro? Quando o discurso noticioso, despido de suas fantasias de objetividade e isenção, tomaria o fato publicitário como objeto jornalístico? E mais, ainda, o roteirizariam como um caso de amor, tal como pretendiam os anunciantes?

O amor romântico, concebido na renascença, não envolve apenas o casal enamorado. Cala fundo no imaginário e enlaça a todos nas juras, desditas e desventuras dos amantes. A empatia da narrativa folhetinesca prende a respiração de quem a lê ou ouve. Impossível ficar indiferente. Afinal, sejamos sinceros, quem nunca teve um amor de verão? Tão insensato quanto fugaz, até encontrar aquele que, por ser o verdadeiro, redefine sentidos e restitui a inteireza afetiva do apaixonado.

A trama do sambista e da cerveja que envolveu o noticiário conteve todos os ingredientes requeridos pelo gênero: traição, arrependimento, reconciliação e imprecações da amante abandonada. Ocupou espaços generosos nas primeiras páginas dos principais jornais, produziu reflexões supostamente éticas em colunistas entediados e análises formuladas a partir de várias angulações. Grosso modo podemos dizer que, ao longo de um trimestre, Zeca Pagodinho não mais experimentava a Ambev o espremia, a Schin espanava e a imprensa espumava. Subsumido pelo marketing que parece anunciar o fim da intermediação, o jornalismo se assumia como apêndice.

Talvez tais episódios reflitam um processo mais amplo. O fetichismo da mercadoria que alcança o campo jornalístico não é um acontecimento súbito. Basta uma leitura rápida nas editorias de economia para observar a qualidade da análise produzida pelos articulistas mais renomados, bem como o tratamento dispensado ao noticiário macroeconômico. Índices e categorias são tratadas como manifestações concretas, explicáveis per si, dispensando qualquer referência ao contexto histórico em que são produzidas.

Seria o caso de relembrar dois alertas de Marx: "As categorias econômicas não são mais que abstrações das relações sociais"; ou, quando se refere à fraude de economia burguesa que se pretendia natural, denuncia economistas que percebem as leis econômicas como "leis eternas que devem reger sempre a sociedade. De modo que até agora houve história, mas agora já não há"(Miséria da Filosofia).

Há mais de 150 anos, o materialismo histórico prenunciava o surgimento do pensamento único. Se alguém pretende ler uma coluna, que, sob um pretenso didatismo, nada mais faz que entronizar os axiomas do capitalismo financeiro, deve, por exemplo, visitar "Panorama Econômico" do jornal O Globo. Desconfiem da clareza do texto de Miriam Leitão. Às vezes simplicidade implica simplificação grosseira. Renúncia à análise e entrega do espaço a consultores de corporações e grandes bancos. Tudo estupidamente gelado.

Não há como ignorar que a ética que preside a produção capitalista é o lucro. Se considerarmos mercadoria tudo o que tem valor de uso e de troca, terá muito sentido cobrar das partes envolvidas posicionamentos que colidam com a lei do valor? Numa esfera em que os homens se coisificam e as coisas se humanizam, Zeca Pagodinho, Schin e Brahma puderam enfim se amar (ainda que dure uma estação), trair, e urdirem vinganças (na resposta da Schin, um homem afirmava que por 3 milhões de reais faria qualquer coisa) sem qualquer problema de ordem moral.

Já vivemos o amor de Romeu e Julieta e Tristão e Isolda. Ambos denunciavam a intolerância. Hoje, o amor possível, um dos poucos a agregar valor, parece ser o do pagodeiro pela sua cerveja. Aguardemos os próximos capítulos que nos serão servidos pelas campanhas veiculadas em jornais, revistas e televisão. Com precisão, riqueza de detalhes e colarinho.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil.

Texto publicado originalmente em 12 de Julho de 2009 no "Debate Aberto" do site da "Agência Carta Maior".

Debata você também lá.

Domingo, 12 de Julho de 2009

Esse é o cara do jornalismo!



Ass: Gay Talese


Declaração publicada pelo jornal "O Globo", de 10/07/2009.

250 anos de charme... Parabéns, Tijuca!





Livro: "A batalha da mídia", de Dênis de Moraes - Já comprei, estou lendo e indico!



Como forma de divulgar o livro "A batalha da mídia", de Dênis de Moraes, trago hoje até aqui um pequeno vídeo que gravei ano passado durante uma palestra dele. Saí de lá fascinada e afirmo enfaticamente:


É imperdível!

Nos traços da história - 12 de Julho de 1990: Morria João Saldanha. Saudoso "João Sem Medo"!

Hoje o domingo é de muitas emoções, bicho! Parabéns, Roberto Carlos! Você é terrível!

"Amigos eu ganhei,
saudades eu senti partindo"




Sábado, 11 de Julho de 2009

Financial Times: "O Brasil sob a batuta de Lula vai "passar dançando sobre a crise""

Foto: Bertrand Guay / AFP
Para o mundo, Lula é mesmo o cara!

Por Carlos José Marques

Lula vem atravessando de queixo erguido os salões internacionais por onde passa. Presidentes de grandes potências repetiram na última semana o que já havia dito o americano Barack Obama: "Lula é o cara". O primeiro- ministro inglês, Gordon Brown, saudou efusivamente a presença do brasileiro no encontro do G-8. "Fico muito feliz de ter meu amigo Lula na reunião", afirmou.

O francês Sarkozy, numa quebra de protocolo e tradição de seu país, recepcionou Lula com um informal tapinha nas costas e reiterou as mesmas propostas dele quanto a mudanças da Cúpula. O italiano Berlusconi vê em Lula uma referência. Todos eles estão ouvindo o brasileiro como quem presta atenção a um guru. No encontro, Lula pediu a participação de mais países nas decisões.

Os membros do G-8 concordaram. Lula pressionou por um combate à crise sem degradação do meio ambiente. Os integrantes da Cúpula assinaram embaixo. Lula voltou a falar na reforma do Conselho de Segurança da ONU e do Fundo Monetário para que países emergentes tenham maior presença. Sarkozy tomou a bandeira como sua e prometeu lutar por ela. Pareceu que cada uma das consultas, propostas e intervenções dos líderes no G-8 levava o dedo de Lula.

De quebra, o presidente brasileiro ainda foi homenageado na sede da Unesco, em Paris, por promover a paz e os direitos humanos pelo mundo, honraria concedida antes a Nelson Mandela e Jimmy Carter. O jornal Financial Times disse que o Brasil sob a batuta de Lula vai "passar dançando sobre a crise". E não poupou referências derramadas à condução do País: "Trata-se de uma democracia madura, com uma economia diversificada e uma população jovem e adaptável".

A busca de modelos alternativos está beneficiando o Brasil e seu mandatário. No Planalto, a avaliação é de que a crise foi a principal responsável pela abertura desse espaço na política internacional. E o presidente Lula, experiente na arte de conduzir multidões e até adversários para as suas trincheiras, está aproveitando.

Carlos José Marques é diretor editorial da revista "IstoÉ Dinheiro", onde este texto foi originalmente publicado.

Mudam as moscas, mas... Raul Seixas não merecia isso!



"Um jornal plural e independente"... Será que eles querem que a gente ria durante ou depois do comercial?

Correpondência do dia - Veríssimo recebe prêmio de literatura‏

Boa tarde, Ana Helena Tavares.
Tudo bem?


Como o blog Traços do que vejo fala sobre cultura com foco em literatura, envio uma sugestão de post sobre o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, que entregou nesta quarta-feira, dia 08, R$ 212 mil a quatro escritores brasileiros. Entre eles, Luis Fernando Veríssimo, pelo conjunto de sua obra. A iniciativa ainda contemplou as categorias Ficção, Poesia e Jovem Escritor Mineiro. Em sua segunda edição, foram cerca de 900 inscrições, provenientes de diversos estados brasileiros, o consolidando entre o cenário nacional. Abaixo, segue o texto sobre a premiação e links aonde pode encontrar mais informações, incluindo uma matéria em vídeo com a universitária Maria Zilda, que venceu na categoria Jovem Escritor Mineiro. No anexo, imagens para ilustrar o post.


Links:
Entrevista com Maria Zilda, vencedora da categoria Jovem Escritor Mineiro:
http://www.youtube.com/watch?v=qnuujj3jNQo&feature=channel_page
Blog do Governo de Minas Gerais: http://blog.mg.gov.br/
Informações sobre as iniciativas de fomento e incentivo à cultura no estado de Minas Gerais: http://www.cultura.mg.gov.br


Aproveito este primeiro contato para me apresentar, pois trabalho no Núcleo de Relacionamento e Disseminação em Mídia Social da Webcitizen, empresa que presta consultoria ao Governo de Minas Gerais. Você tem interesse em receber mais informações relacionadas ao perfil do Blog? Caso tenha dúvidas, sugestões ou críticas, fico à disposição. Também gostaria de salientar que esta é uma sugestão de post, mas que todo o nosso conteúdo é oferecido de forma colaborativa e que pode ficar à vontade para utilizá-lo como achar pertinente ao blog. Edições, remixações e outras mudanças ficam a seu critério.


Abraços, obrigada e parabéns pelo trabalho com o blog.
Thamires Andrade
thamires@webcitizen.com.br

Luis Fernando Veríssimo recebe Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura

Nesta quarta-feira, dia 08 de julho, Luis Fernando Veríssimo recebeu, na Academia Mineira de Letras, o Prêmio Minas Gerais de Literatura pelo conjunto de sua obra. Com mais de 60 livros publicados, Veríssimo é reconhecido por seu olhar humorado e sagaz voltado ao cotidiano e às relações humanas. Sobre a importância da premiação, ressaltou: “Temos ótimos escritores e gente jovem aparecendo, mas por causa das restrições do mercado editoral brasileiro não tem como publicar. Por isso, esse tipo de iniciativa do Governo é importantíssima, não só pelo prêmio em si, mas pela divulgação”.
Em sua segunda edição, o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura recebeu cerca de 900 inscrições provenientes de diversos estados do Brasil. Os prêmios somaram R$ 212 mil, divididos entre as quarto categorias. O filósofo mineiro Reni Andrade, recebeu por seu romance “Lugar” o prêmio disputado por outros 160 inscritos na categoria Ficção. Já na categoria Poesia, a mais concorrida, com 674 trabalhos, quem venceu foi o cearense Eduardo Jorge de Oliveira, pelo título “A lingua do homem sem braço”.
Com 24 anos, a estudante de Letras na UFMG, Maria Zilda Santos Freitas, teve seu romance ainda não publicado, “Insetos”, contemplado na categoria Jovem Escritor Mineiro. Na narrativa, a universitária apresenta a história de uma menina órfã, que ao se perder na cidade grande, torna-se uma observadora da metrópole. Assim como em “A Metamorfose”, de Franz Kafka, o inseto passa a ser uma sígno do absurdo, quando todos os personagens são metaforizados como insetos.
Para o Governo de Minas Gerais, o Prêmio de Literatura é uma forma de valorização da cultura pelo estado. Outros três prêmios foram criados para incentivar o cinema, a música e as artes cênicas. Neste ano, serão distribuídos mais de R$ 7 milhões em incentivos, somando o Prêmio de Literatura, Filme em Minas, Música Minas e Cena Minas. Ainda na linha da incentivo à cultura, desde 2003, 3.495 projetos, em 156 municípios, foram atendidos pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
Para mais informações sobre as iniciativas de fomento e incentivo à cultura no estado de Minas Gerais, acesse: http://www.cultura.mg.gov.br

Sobre os vencedores do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2008

Luis Fernando Veríssimo (Conjunto da Obra) – Jornalista e escritor gaúcho, é filho do grande escritor Érico Veríssimo. É também cartunista e tradutor, além de roteirista de televisão, autor de teatro e músico, tendo tocado saxofone em alguns conjuntos. Nasceu em Porto Alegre onde iniciou seus estudos. Nos Estados Unidos, cursou Roosevelt High School de Washington, e ainda estudou música aprendendo a tocar saxofone. Como jornalista, iniciou sua carreira no jornal Zero Hora, em Porto Alegre, no final da década de 60. Além disso, Luis Fernando Veríssimo tem textos de ficção e crônicas publicadas nas revistas Playboy, Cláudia, Domingo (do Jornal do Brasil), Veja, e nos jornais Zero Hora, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e no jornal O Globo.
Entre suas obras estão os livros O Popular, A Grande Mulher Nua, Amor Brasileiro, publicados pela José Olympio Editora; As Cobras e Outros Bichos, Pega pra Kapput!, Ed Mort em "Procurando o Silva", Ed Mort em "Disneyworld Blues", Ed Mort e Outras Histórias, O Jardim do Diabo, Pai não Entende Nada, Peças Íntimas, O Santinho, Zoeira, Sexo na Cabeça, O Gigolô das Palavras, A Mão do Freud, Orgias, As Aventuras da Família Brasil, O Analista de Bagé, publicados pela L&PM Editores, A Mesa Voadora, pela Editora Globo e Traçando Paris, pela Artes e Ofícios.
Reni Adriano Batista (Categoria Ficção) – Mineiro de Santa Luzia, o escritor é articulista e membro dos conselhos gestor e editorial da revista Laboratório de Poéticas – Antenas & Raízes (Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura). Sua obra “Lugar” faz referência ao imaginário mítico-popular brasileiro. Romance denso em que as personagens se debatem numa trama de extrema perversidade, mas entremeada de delicadezas.
Eduardo Jorge de Oliveira (Categoria Poesia) – Formado em publicidade, mora em Belo Horizonte há um ano, onde faz mestrado em Literatura na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sua obra “A lingua do homem sem braço” aborda a questão do corpo dentro do poema e como ele se reflete na escrita. Eduardo - que já publicou dois livros de poesias: San Pedro (2004), editoração própria; e Espaçaria (2000), da Lume Editor – escreve para o caderno Pensar, do jornal Estado de Minas e já teve poemas publicados no Suplemento Literário.
Maria Zilda Santos Freitas (Jovem Escritor Mineiro) - Mineira de Belo Horizonte teve o projeto escolhido pela originalidade e contribuição para a literatura brasileira contemporânea.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Nos traços da história: 10 de Julho de 1982 - Morria Jackson do Pandeiro

Todo o meu apoio ao jornal capixaba que está sob vergonhosa censura do poder judiciário do ES

O jornal "O século diário" alerta:


O que é um homem de cor?

video

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Traço de mestre

Foto: Luciana Sarmento
Os novos bobos das cortes passadas

Que tipo de inteligência e sutileza se pode esperar dos funcionários de meios de comunicação oligopolizados? Um humor que desmistifique estruturas de dominação ou uma estrutura discursiva que, misturando o grotesco e o fantástico, reitere a devoção aos antigos donos do poder?

Gilson Caroni Filho

Quando se encerrou o ciclo militar, os humoristas brasileiros viam com alívio o seu final. Eles que enfrentaram a ditadura rindo-se dela, tinham um desafio pela frente. Como o humor político se comportaria frente a governos oriundos da oposição à ditadura? Como a produção humorística, forjada na resistência ao autoritarismo, situaria seu trabalho em uma nova situação política? Essa questão empolgava os profissionais que afiaram seus traços e textos como arma eficaz contra os regimes militares. Mais de quatro décadas depois, o que fazem os candidatos a seguidores do jornalista Aparício Torelly, aquele que se autoconcedeu o título de “Barão de Itararé”? Como convivem com o Estado de Direito e governantes democraticamente eleitos?

Uma simples visita a blogs hospedados em portais da imprensa corporativa pode responder à questão. E o resultado é tão melancólico que nem valeria o registro se ele não demonstrasse um significativo deslocamento de funções no campo jornalístico. Sem dúvida, esse é um setor que já foi mais sofisticado. Uma pequena parcela dele, nos anos de chumbo, guardava algum tipo de comprometimento com interesses democráticos, nacionais e populares. Jornais como Pasquim, Em Tempo, Movimento, Opinião e Versus, entre tantos outros, pagaram caro, mas não abriram mão de uma linha editorial voltada para a promoção da cidadania.

O que temos hoje é uma imprensa que ignora o princípio da publicidade, não permite à cidadania controlar a informação. Mais que desinformar, avoca para si uma função que não lhe pertence, pretendendo tomar decisões vinculantes para o conjunto da sociedade. Um parlamento midiático, formado por editores tucano-lacerdistas, respaldados por seguidos pronunciamentos de ministros do STF a lhes prometerem sustentação legal em sua aventura.

Sendo assim, que tipo de inteligência e sutileza se pode esperar dos funcionários de meios de comunicação oligopolizados? Um humor que desmistifique estruturas de dominação ou uma estrutura discursiva que, misturando o grotesco e o fantástico, reitere a devoção aos antigos donos do poder? É na breve incursão por narrativas definidoras de linhas editoriais que podemos constatar que o humorista perdeu seu cargo. Foi substituído por um redator que não teme o ridículo de evidenciar seu servilismo. Alguém incapaz de discernir a tênue linha que separa o humor feito como instrumento de crítica social de gestos burlescos que tentam agradam a direita nativa.

Se em 1964, o então presidente da Congresso, Áureo de Moura Andrade declarou vago o cargo de presidente, sob protestos e tumultos no plenário, em 2009, os bobos de cortes passadas manipulam suas máscaras para melhor agradar ao seu público. Tomemos um exemplo bem recente.

Em seu blog, o jornalista Ricardo Noblat postou, na tarde desta quinta-feira (9), a seguinte nota. O título evoca bons tempos para muitos de seus leitores:

"Está vaga a presidência da República"

Neste momento, ninguém responde pela presidência da República.
Lula continua no exterior. José Alencar, 77 anos, está anestesiado. Passa por sua 14ª operação no Hospital Sírio Libanês devido a 13 tumores cancerígenos que carrega no corpo.

Na ausência de Lula e de Alencar, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP) é quem assume a presidência. Não assumiu.
No país onde não há crise no Senado, apenas uma mera divergência, segundo Lula; onde José Sarney nada tem a ver com a Fundação José Sarney; onde o ministro do Meio Ambiente considera normal que a mulher seja funcionária da Câmara dos Deputados e trabalhe ali apenas um dia por semana; e onde políticos dizem abertamente que estão pouco se lixando para a opinião pública; ora, é irrelevante que durante algumas horas a presidência da República fique vaga."

Claro que não estamos diante de um ato golpista. Todos conhecem o profissional e seu apreço pela legalidade, mas falar em vacuidade em um mundo conectado pelas mais variadas redes de comunicação é uma “boutade" desnecessária. Um dito espirituoso que ignora um fato histórico elementar: outrora os bobos da Corte gozavam de alguma autonomia. Não precisavam perder o equilíbrio nos disparates.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil.

Texto publicado originalmente hoje, 09 de Julho de 2009, no site da "Agência Carta Maior".

Nos 29 anos sem Vinícius... "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela menina que vem e que passa, seu doce balanço a caminho do..."

Foto: Agência Reuters

Nos traços da história: São Paulo, 9 de Julho de 1932 - Uma data que não pode passar em branco

Nos traços da história: Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980 - Morria Vinícius de Moraes

Vinícius por Vinícius


"É melhor ser alegre que ser triste!"


"Poeta, poetinha, vagabundo"...
e seus parceiros

Por dentro do golpe

Por Aline Durães e Fernanda Turino, do Olhar Virtual*

Foi no domingo, 28 de junho, que a democracia latino-americana se viu mais uma vez ameaçada pelo braço da repressão. O golpe militar que prendeu e exilou Manuel Zelaya, ex-presidente de Honduras, e conduziu ao cargo o então chefe do Congresso, Roberto Micheletti, colocou o país da América Central em destaque no cenário mundial e reacendeu a discussão acerca da fragilidade das instituições democráticas na região.

A reação foi imediata: Hugo Chávez, presidente da Venezuela vítima de uma tentativa de golpe em 2002, manifestou apoio a Zelaya. Outros chefes de Estado da América Latina, entre eles o presidente Luís Inácio Lula da Silva, também se mostraram preocupados com a situação hondurenha. A Organização dos Estados Americanos (OEA) repudiou o golpe militar e, depois de uma sessão convocada em caráter de emergência, suspendeu Honduras. Também a Organização das Nações Unidas (ONU) condenou a prisão de Zelaya e pediu sua restituição ao antigo cargo.

O golpe militar aconteceu como reação ao plebiscito, a ser realizado no próprio dia 28, no qual a população decidiria ou não pela convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte em 2010, cujo objetivo principal seria a elaboração de uma nova Constituição para Honduras. Entre outras coisas, a nova Carta Magna permitiria a terceira candidatura de Zelaya à Presidência do país e ampliaria a democracia participativa do povo hondurenho.

Mas que outros motivos podem explicar a atual situação política de Honduras? A atuação dos militares hondurenhos abre precedentes para novos golpes na América Latina? A pressão internacional para que Zelaya seja reempossado pode surtir efeito? Para responder a essas e outras questões, o Olhar Virtual conversou com Franklin Trein, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), e Roberto Leher, professor da Faculdade de Educação (FE) e 1º vice-presidente da Seção Sindical de Docentes da UFRJ (Adufrj), que, na última semana, organizou uma moção de apoio ao povo hondurenho. Confira!


“Talvez o melhor desfecho de toda esta crise venha a ser o desmascaramento dos verdadeiros interesses, econômicos e políticos, por trás do golpe”

Por Franklin Trein

“No meu entender a única novidade nos fatos ocorridos recentemente em Honduras é, até agora, a aparente não-participação direta do governo dos Estados Unidos, que, ao não atribuir legitimidade aos militares golpistas e declarar que considera Manuel Zelaya ainda o presidente do país, rompe com uma tradição de intervenção nos assuntos internos hondurenhos que começou no final do século XIX. Em outras palavras, há mais de um século os capitais norte-americanos, liderados pela então United Fruit Co., se apossaram de enormes extensões de terra, monopolizaram a produção de frutas, tomaram conta dos transportes ferroviários, da navegação de cabotagem e de longo curso, ocuparam os portos, e por fim governaram o país impondo governos ditatoriais, militares ou civis, promovendo eleições sempre fraudadas, dando golpes para destituir governos que deixavam de ser serviçais. As Forças Armadas norte-americanas e agentes civis dos Estados Unidos agiram diretamente em território de Honduras ou treinaram e apoiaram militares e civis hondurenhos na prática de assassinatos, torturas, desaparecimentos, expulsão do país de todo aquele que se opusesse aos seus interesses. Foi assim durante décadas e principalmente no período em que forças revolucionárias lutavam para derrubar a ditadura de Somoza na vizinha Nicarágua. Perdida a Nicarágua para os Sandinistas, Honduras, que já cumpria um papel importante, se tornou o principal centro de irradiação das operações político-militares dos Estados Unidos na América Central e no Caribe, onde os seus interesses econômicos são defendidos por todos os meios e, quando necessário, com intervenção militar direta.

O presidente Manuel Zelaya, que assumiu a presidência de Honduras em 27 de janeiro de 2006, foi eleito com o apoio de seu partido, o Partido Liberal, e de outras agremiações de centro e centro-direita. O fato de portar o nome Zelaya, que lembra o movimento dos camponeses liderados por Lorenzo Zelaya, assassinado em 1965, talvez tenha contribuído para que Manuel Zelaya, pouco a pouco, começasse a olhar para o povo sofrido de seu país. O diálogo com o presidente Chávez e com outros líderes mais à esquerda na América Latina certamente desagradou a classe dominante hondurenha, um grupo social muito reduzido – 230 proprietários detêm 75% das terras agricultáveis –, sempre intimamente ligado às Forças Armadas e às Forças de Segurança nacionais.

O fato novo, neste momento, é a declaração do presidente Obama (presidente dos EUA) de que não reconhece o governo que se instalou em Tegucigalpa. Isto, no entanto, não é sinônimo de que os Estados Unidos, através de seus agentes tradicionais, tenham deixado de intervir na região e não estejam envolvidos em mais um golpe contra a frágil democracia hondurenha.

Não vejo hipótese de o presidente Zelaya voltar ao poder por simples pressão da comunidade internacional. Qualquer solução, que não seja a permanência dos golpistas no poder, terá que ser negociada.

Talvez o melhor desfecho de toda esta crise venha a ser o desmascaramento dos verdadeiros interesses, econômicos e políticos, por trás do golpe. Assim, enquanto o presidente Obama ocupar a Casa Branca, com o apoio de lideranças progressistas na América Latina e também de outras regiões, as forças políticas mais à esquerda em Honduras poderão ter espaço para ganhar alguma coesão social e política, que permita, no futuro próximo, dar ao país um destino de mais justiça, liberdade e desenvolvimento.

Honduras, um país pobre, saqueado todos os dias ao longo de sua história, permanentemente desrespeitado em sua soberania, com seus pouco menos de seis milhões de habitantes, tem um déficit de alimentos, de habitação, de escolas, de saneamento e uma dívida pública que fazem dele portador de um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano de todo o Continente.”

Franklin Train é professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (IFCS).


“É crucial que os movimentos possam defender o direito a plebiscitos democráticos e à democracia participativa, para que as reformas possam seguir avançando contra a mercantilização de todas as esferas da vida”

Por Roberto Leher

“Todo golpe militar é um duro golpe na débil democracia latino-americana, uma democracia que está baseada na separação radical das esferas política e econômica. Toda tentativa de alteração da ordem econômica abortada por golpes é, nesse sentido, um severo golpe contra a democracia. Não creio que o golpe militar em Honduras abra precedente de novos golpes em curto prazo, mas em médio e longo sim. Não podemos nos esquecer de que este golpe não é um raio em céu azul, pois antes houve tentativas de golpes na Venezuela, contra Chávez, e na Bolívia, contra Morales. Enquanto as contradições da crise e do padrão de acumulação puderem ser manejadas pelo social-liberalismo, Obama dificilmente apoiará abertamente qualquer intento golpista. Mas caso a crise leve de roldão a popularidade dos governos social-liberais (como Lula da Silva, Tabaré Vásquez, Bachelet, Kirchner, entre outros) e, ainda, caso os países da Aliança Bolivariana das Américas (ALBA) — Venezuela e Bolívia, especialmente — aprofundem as transformações antimercantis, todas as possibilidades estarão abertas. Não é ocioso lembrar que a Crise de 1929 conduziu ao fascismo e à Segunda Guerra Mundial. Saídas pela direita e com a força não podem ser descartadas.

A situação em Honduras não é, entretanto, uma resposta da direita ao movimento esquerdista verificado em alguns países da América Latina nos últimos anos. Os atores que impulsionaram o golpe e a natureza do conflito corroboram a leitura de que se trata de um conflito intraburguês. A esquerda socialista hondurenha é pequena e sua representação parlamentar é diminuta. Não se trata de um confronto direita e esquerda no sentido forte da palavra, mas de um confronto que mostra que os limites para as reformas dentro da ordem estão cada vez mais estreitos, exigindo estratégias que avancem para reformas contra a (e fora da) ordem, visto que as frações burguesas dominantes não estão dispostas a ceder nem um milímetro. O afastamento dos setores dominantes do governo de Zelaya passou a assumir um caráter beligerante após a aprovação da elevação modesta do salário mínimo.

A repressão está duríssima, lideranças estão sendo presas, não há liberdade de imprensa com as corporações no controle das mesmas. Preocupa-nos o antecedente de um golpe, no momento em que o processo de crise do capitalismo mostra toda a sua profundidade. Em suma, temos compromisso com a democracia na América Latina e no mundo, e não podemos nos silenciar diante de um acontecimento tão grave.

Precisamos dar visibilidade ao acontecimento, enfrentar as inverdades dos meios de comunicação que insistem em associar o golpe a um suposto levante de Zelaya em prol de um novo mandato, sustentando a legitimidade de uma aproximação do país com o projeto da ALBA, caso seja essa a vontade popular. É crucial que os movimentos possam defender o direito a plebiscitos democráticos e à democracia participativa, para que as reformas possam seguir avançando contra a mercantilização de todas as esferas da vida e, não menos importante, que os movimentos acompanhem a integridade física de cada militante social hondurenho, denunciando veementemente prisões e perseguições. É importante repudiar a quebra do princípio constitucional de que as forças armadas não podem se imiscuir nos conflitos políticos internos dos países. Os movimentos podem ter um importante protagonismo na exigência de que o governo Obama e a OEA, mais do que declarações abstratas, empreendam ações efetivas contra os golpistas.”

Robert Leher é professor da Faculdade de Educação da UFRJ (FE).

*O "Olhar Virtual" é uma publicação da Coordenadoria de Comunicação da UFRJ.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

PEC propõe retomada da exigência do diploma de jornalista

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) protocolou na manhã desta quarta-feira, 08 de Julho, Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que retoma a obrigatoriedade do diploma de curso superior para exercer a profissão de jornalista. A PEC, que recebeu o número 386/2009, foi entregue com 191 assinaturas. A proposta é paralela à outra PEC, apresentada pelo senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) no dia 1º.

Segundo Pimenta, "foi importante a rápida reação da sociedade, desaprovando o absurdo cometido pela Corte Suprema brasileira". O deputado alertou que o precedente foi aberto para a desregulamentação de outras profissões. A PEC será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, em paralelo à análise da outra proposta que tramita no Senado.


O Supremo errou, cabe consertar

Os ministros que votaram contra a exigência do diploma, sob a alegação de cerceamento da liberdade, erraram. Seguiram um relator subserviente à grande mídia, certo de que esta retribuiria o favor, o que aliás já vem acontecendo. Mostraram em seus votos desconhecer a matéria em julgamento.

Laurindo Lalo Leal Filho

O Supremo Tribunal Federal cometeu um grave erro ao acabar com a exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Como guardião da Constituição brasileira, o STF entendeu que uma de suas cláusulas – a que garante a livre manifestação de pensamento – estaria sendo violada pela lei que regulamentou a profissão de jornalista.

Os ministros que votaram contra a exigência do diploma, sob a alegação de cerceamento da liberdade, erraram. Seguiram um relator subserviente à grande mídia, certo de que esta retribuiria o seu favor, o que aliás já vem acontecendo. Mostraram em seus votos desconhecer a matéria em julgamento. Nunca houve, nos mais de quarenta anos de vigência da lei, qualquer violação da liberdade que tivesse sido decorrente de sua aplicação. Houve sim censura prévia durante a ditadura e censura empresarial depois dela, fatos sem nenhuma relação com a exigência do diploma.

Os nobres julgadores parecem não ler jornais, ouvir rádio ou ver televisão. Neles, todos os dias opinam profissionais de todas as áreas sem nenhum obstáculo. Portanto, a exigência do diploma não fere a Constituição e esta deveria ser a singela resposta do Supremo aos autores da ação, não por acaso entidades patronais do setor.

O que a lei derrubada garantia era a o exercício legalizado de uma profissão cujo conhecimento acumulado ao longo dos anos não pode ser transmitido senão de forma sistematizada, como se faz na academia. Foi-se o tempo em que jornalismo se aprendia nas redações. Hoje esse ensinamento é fruto da pesquisa científica desenvolvida numa área específica do conhecimento e que se transmite nas salas de aulas e nos laboratórios.

Gostaria de saber se alguns dos juizes que votaram contra o diploma – e que escrevem nos jornais com absoluta liberdade – sabem como se define e se produz uma pauta jornalística, como se apuram as informações e como se faz a edição de uma reportagem, por exemplo? Ou ainda quais são as diferenças entre um texto escrito para ser lido nos jornais, na internet ou para ser ouvido através do rádio. E como escrever para a TV combinando com precisão texto e imagem? Isso não tem nada a ver com liberdade de informação. É conhecimento especializado que sociólogos, advogados e médicos não aprendem em suas faculdades. Só os jornalistas.

E o mais importante: gostaria de saber se esses doutos juizes se debruçaram sobre o currículo teórico dos cursos de comunicação, base fundamental para o trabalho prático acima descrito. Não há hoje jornalista formado que não tenha tido contato com as diferentes correntes teóricas da comunicação, estudadas e discutidas nas faculdades.

São essas leituras que permitem aos futuros jornalistas compreender melhor o funcionamento da mídia, as suas relações com os diferentes poderes, os seus interesses muitas vezes subalternos. É nas faculdades que se formam jornalistas críticos, não apenas da sociedade, mas principalmente da mídia, capazes de saber com clareza onde estarão pisando quando se formarem. É tudo que os donos dos meios não querem.

A luta deles pelo fim do diploma resume-se a dois objetivos: destruir a regulamentação da categoria aviltando ainda mais os salários e as condições de trabalho e, ao mesmo tempo, evitar a presença em suas redações de jornalistas que possam, ainda que minimamente, contestar – com conhecimento de causa - o poder por eles exercido sem controle. Querem escolher a dedo pessoas dóceis e subservientes e transformá-las nos “seus” jornalistas.

Transfere-se dessa forma da esfera pública para o setor privado a decisão de definir quem pode ou não ser jornalista. As universidades públicas quando outorgam um diploma de um dos seus cursos ou quando reconhecem a legitimidade do diploma fornecido por instituição privada exercem a prerrogativa de possuírem fé pública. O diploma de jornalismo era, portanto, referendado pelo Estado em nome da sociedade, dando a ele a sustentação necessária para o exercício de uma profissão regulamentada desde 1938. Agora é o mercado que decide.

Outro argumento ridículo usados pelos juízes do Supremo é que o diploma era um entulho autoritário produzido pela ditadura militar. Bastava uma breve consulta aos anais de todos os encontros e congressos de jornalistas para perceber que tal afirmação é insustentável. Em 1918, quarenta e seis anos antes de se instalar a ditadura de 64, os jornalistas reunidos em Congresso no Rio de Janeiro já defendiam a formação específica em jornalismo para o exercício da profissão. E seguiram lutando por essa bandeira e pela regulamentação profissional.

Em 1961, o presidente Jânio Quadros publicou decreto regulamentando a profissão. A partir dai o seu exercício ficou restrito aos portadores de diploma específico de nível superior. Como agora, as empresas jornalísticas se mobilizaram e conseguiram, um ano depois, a revogação do decreto pelo presidente João Goulart. Mas em compensação foi criada uma comissão para dar nova forma à legislação. O resultado foi a volta da exigência da formação superior, embora admitindo o autodidata e o reconhecimento de jornalistas sem diploma nas cidades onde não haviam faculdades de jornalismo. O decreto-lei de 1969 apenas acabou com o autodidatismo, mas permitiu a existência do jornalista provisionado, aquele que já exercia a profissão antes da promulgação da lei.

Foi graças à mobilização e à pressão da categoria que, depois de mais de 50 anos de luta conquistou-se a exigência do diploma, nos termos previstos desde de o final da primeira década do século 20.

E os juízes de 2009 ainda tiveram a coragem de aceitar a tese de que foi a ditadura que exigiu o diploma para impedir contestações nos jornais. Como se os jornalistas pudessem escrever o que quisessem sem a anuência dos patrões, como se na época não houvesse censura policial e como se todos os possíveis contestadores do regime não estivessem aquela altura mortos, exilados, sendo torturados ou simplesmente calados pela força da intimidação.

Voltamos agora à pré-história do jornalismo brasileiro quando os donos de jornais davam “carteiras de jornalistas” para os empregados e diziam: “agora você já é jornalista, pode ir buscar o salário lá fora”. Se o “jornalista” tivesse algum pudor iria ganhar seu dinheiro em outra profissão trabalhando no jornal por diletantismo. Se não tivesse iria usar do seu espaço para ameaçar pessoas, em troca de remuneração. Era o chamado achaque que, obviamente não era generalizado mas que constrangia os jornalistas idôneos.

A obrigatoriedade do diploma foi responsável pela moralização da profissão. Além disso, estimulou os diplomados a refletirem sistematicamente sobre o seu trabalho. Será que os nobres juizes do Supremo ouviram falar alguma vez na riquíssima experiência de pesquisa, necessária ao trabalho de conclusão de curso, condição para se obter o grau superior de jornalismo? Acredito que não. E não sabem também como, ao ingressar na profissão com o diploma, o jornalista tem olhos mais atentos para recolher na prática profissional os elementos necessários para a realização de novas pesquisas acadêmicas.

São inúmeros os jornalistas que depois de alguns anos de vida profissional voltam à academia ingressando em programas de mestrado ou doutorado. Carreiras acadêmicas serão destruídas. E com isso vai se iniciar um processo de destruição de uma área do conhecimento que vinha se consolidando nos últimos anos graças ao investimento dos órgãos de fomento à pesquisa e das universidades. A exigência do diploma é vital para manter viva a relação entre o trabalho e a pesquisa.

Como se vê, além de errarem, os juizes do Supremo foram irresponsáveis por não mediram as conseqüências da decisão tomada.

Mas há conserto. Tramitam no Congresso duas propostas de emenda constitucional determinando a volta da exigência do diploma de nível superior para o exercício da profissão. Não é fácil aprová-las dadas as exigências regimentais. Na Câmara, por exemplo, precisam do voto favorável de três quintos dos deputados (308 entre 513) e no Senado de 49 dos 81 senadores. Votos que só serão conseguidos com a mobilização ampla da categoria e dos estudantes, o que aliás já vem ocorrendo em todo o Brasil. Resta agora intensificar essa luta que já se mostrou vitoriosa em outros momentos de nossa história.


Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).


Texto publicado originalmente em 7 de Julho de 2009 no site da "Agência Carta Maior".

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Sindipetro-RJ denuncia o jornal "O Globo" por preconceito aos sindicalistas

Para ler, clique com a mãozinha.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Traço de mestre

Foto: Luciana Sarmento
Berços latinos, novas hegemonias

A América Latina apresenta um avanço inegável, por mais lentos e complicados que sejam os processos de integração entre economias tão assimétricas. É contra isso que a direita latino-americana se reagrupa, fazendo de Honduras seu balão de ensaio.

Gilson Caroni Filho

A vitória indígena no Peru, obrigando o Parlamento daquele país a revogar dois decretos sobre exploração de recursos naturais, é mais um sinal de que a impotência da solidão, termo criado pelo escritor uruguaio Eduardo Galeano, é um sentimento que se distancia do continente latino-americano. A região do mundo, outrora fraturada e abandonada em mil pedaços, aos poucos, abandona a moldura institucional forjada para privilégios de suas oligarquias e se apresenta como um bloco com identidade e interesses próprios. Um avanço inegável, por mais lentos e complicados que sejam os processos de integração entre economias tão assimétricas. É contra isso que a direita latino-americana se reagrupa, fazendo de Honduras seu balão de ensaio.

A assinatura do tratado de criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em maio do ano passado, deu personalidade jurídica a um organismo que tem por objetivo a coordenação social, política e econômica em âmbito regional Algo tão inédito quanto a Cúpula da América Latina e Caribe para o Desenvolvimento e Integração (Calc) que, em dezembro, reuniu 33 chefes de Estado ou seus representantes. Sem presença ou permissão dos Estados Unidos, países até então contaminados por velhos rancores, uniram-se para resolver algumas urgências compartilhadas, como a de evitar que “os impactos da crise financeira afetassem os planos de desenvolvimento, superação da pobreza e crescimento econômico sustentável da região”.

Como destacou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim “é inacreditável que em 200 anos de independência a América Latina, quando tem uma reunião internacional, tenha que ter ou EUA ou União Européia, o rei da Espanha ou o presidente de Portugal”. Natural que a leitura da direita tenha seguido em rota contrária. Para alguns setores da mídia, o evento serviu apenas de palco para as bravatas de Chávez e Evo Morales, sem trazer qualquer resultado positivo para o bloco da América do Sul e do Caribe. Mas, se o choro é livre, o que conta é a sucessão de inflexões a que temos assistido.

Alain Touraine já havia observado que um dos maiores erros cometidos pelas elites locais foi o de acreditar que a América Latina só avançaria se sacrificasse o bem-estar da maioria para construir uma infraestrutura moderna. Era falsa a crença de que o modelo capitalista liberal fosse uma referência próxima da realidade latino-americana. Se o Chile está perto de apresentar indicadores de países centrais, isso não se deve, como apregoaram muitos ideólogos do capital, aos experimentos neoliberais do governo Pinochet mas à realização de uma reforma agrária, iniciada no governo Frei e ampliada por Allende, que permitiu o desmantelamento de antigos latifúndios e a criação de uma classe ativa de empresários agrários. Convém não esquecer que o sistema educacional chileno nunca deixou de primar pela qualidade.

Na Bolívia, que sofria a perda de suas fontes de prata e estanho, um presidente aynara erradicou o analfabetismo, repetindo o êxito da Venezuela de Hugo Chávez. Rafael Correa, presidente do Equador, cumpre promessa de governo e cancela grande parte da dívida do país. Tabaré Vázquez, que preside o primeiro governo socialista do Uruguai, mantém, em seu último ano de governo, popularidade que bate na casa dos 61%. Passados 74 anos da Guerra do Chaco, os presidentes do Paraguai, Fernando Lugo, e da Bolívia, Evo Morales, proclamam o que chamam de “irmandade binacional”, reiterando compromisso de não mais haver enfrentamento entre os dois países. É intensa a percepção de que separados não teremos destino.

O que acontece na América Latina é a ruptura de um paradigma que não admitia que a oposição de esquerda se fizesse a partir da auto-organização da classe trabalhadora, de partidos novos, de sindicatos e de movimentos sociais que não estavam ligados de forma clara à luta de classes, como o dos indígenas que adquire centralidade cada vez maior na região. Os blocos de poder conservadores, com seus discursos estruturados e argumentados, que apareciam como o “dever ser”, o “poder ser” e o “que vai ser”, perderam, junto com a esquerda tradicional, para uma política que se reinventa no interior das contradições, dos conflitos e da tessitura tensa dos mundos do capital e do trabalho. Uma bela lição que balança o berço das oligarquias e da burguesia liberal do continente. Uma aula de hegemonia posta à prova em Tegucigalpa.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil.


Artigo publicado originalmente no Jornal do Brasil de hoje, 06 de Julho de 2009.

Nas nossas mãos...

Utilidade Pública - Onde descartar lâmpadas fluorescentes e comuns?

Reciclagem

Fonte: http://br.osram.info/reciclagem.html

Orientação aos consumidores quanto ao descarte de lâmpadas
As lâmpadas incandescentes convencionais são produzidas de vidro e metal. Elas não contém materiais prejudiciais ao meio ambiente. Na verdade, não há problema em se jogar as lâmpadas no lixo de casa. Porém, elas não devem ser jogadas em lixos para reciclagem de vidros, pois o tipo de vidro usado na produção de lâmpadas é diferente dos vidros convencionais.

As lâmpadas halógenas são preenchidas com uma pequena quantidade de gás halógeno mas, mesmo a quebra de muitas lâmpadas não oferece nenhum perigo às pessoas e ao meio ambiente. Portanto, podem ser jogadas no lixo de casa.

Lâmpadas fluorescentes tubulares, fluorescentes compactas e descarga da alta pressão contêm quantidades pequenas de mercúrio. Estas lâmpadas ao invés de serem jogadas em lixos específicos para vidros recicláveis ou em lixos de casa, devem ser enviadas para reciclagem apropriada.

As lâmpadas de sódio de baixa pressão também não precisam ser jogadas em locais especiais.

Quanto às embalagens, apesar de não possuírem materiais prejudiciais ao meio ambiente, elas possuem componentes recicláveis e, por isso, devem ser encaminhadas para reciclagem de papel.

100% Reciclável
Há muitas diferenças no design e nos materiais usados na produção dos vários tipos de lâmpadas. Até pouco tempo atrás era impossível prover a reciclagem completa da maioria das lâmpadas. Porém, recentemente, a OSRAM introduziu uma solução para este problema. Um novo conceito que permite a reciclagem de todas as lâmpadas inutilizadas durante o processo produtivo (por ex.: lâmpadas de sódio de alta pressão, lâmpadas de vapor de mercúrio e lâmpadas halógenas). Vidros, tubos quebrados e materiais refugados que não podem ser recuperados ou reintroduzidos na produção agora podem ser processados para virarem vidros ou frita (vidro já moído usado como esmalte para pisos e azulejos).

Reciclagem – Embalagens
A OSRAM também implementa ações ambientais no desenvolvimento e produção de suas embalagens. No transporte de componentes entre os nossos fornecedores de matérias-primas utilizamos caixas e pallets em sistema vai-vém, reduzindo significativamente o uso de novos materiais para fins de embalagens. Já as embalagens para o varejo são fabricadas em 90% por papel ou cartucho reciclável. Papel bolha é usado somente quando estritamente necessário.

Contato com empresas de reciclagem de lâmpadas

A OSRAM acompanha o desenvolvimento do mercado de reciclagem de lâmpadas fluorescentes e de iluminação pública.

Empresas recicladoras:

Rio de Janeiro ELREC
Recicladora de lâmpadas / Envirochemie Tratamentos Especializados Ltda.
Contato: Marcio Valli Braile - Gerente Comercial
Estrada da Curicica, 1280 - CEP 22770-552 Rio de Janeiro / RJ
Tel./Fax: (21) 2441 - 4393
Cel: (21) 9222- 8755
E-mail: marcio@enviro-chemie.com.br
Internet: www.enviro-chemie.com

São Paulo WPA Ambiental
Contato: José Ângelo Rigo
Dir. Comercial
Rua Aral, 115 - Jardim do Mar
CEP 09750-330
S. Bernardo do Campo - SP
Unidade Industrial: Rodovia PR 469, Km 03 - Parque Tecnológico Industrial
Pato Branco - PR
Tel.: (0xx11) 4330-1133 / Fax: (0xx11) 4330-0094
E-mail: wpa@wpaambiental.com.br
Web Site: www.wpaambiental.com.br
-> Esta empresa só recicla reatores.

São Paulo Naturalis Brasil
Desenvolvimento de Negócios
Contato: Plínio C. Di Masi - Diretor
Rua Manuel Lopes, 85 - V. Municipal
CEP 13201-190 - Jundiaí - SP
Tel: (11) 4521-5645
Fax: (11) 4521-2793
E-mail: naturalisbrasil@naturalisbrasil.com.br
Web Site: www.naturalisbrasil.com.br

Apliquim
Contatos: Norberto Gaviolle / Fernando / Elimara
Escritório/Fábrica:
Avenida Irene Karcher, 1201 - Betel
CEP 13140-000 - Paulínia - SP - Caixa Postal 170
Tel.: (19) 3884-7184 / 3884-8140 / 3884-8141
Fax: (19) 3884-7562
E-mail: apliquim@apliquim.com.br
Web Site: www.apliquim.com.br

Minas Gerais RECITEC
Reciclagem Técnica do Brasil Ltda.
Contato: Renato Barros - Diretor Comercial
Tel: (31) 3213-0898 / 3274-5614 / (31) 9139-1460 / (31) 9631-7272
Fábrica: Rua Zico Barbosa, 426 - Distrito Industrial Teotônio B. Freitas
CEP 33600-000
Pedro Leopoldo - MG
Tel: (31) 3660-8332
E-mail: comercial.recitec@uol.com.br
Web Site: www.recitecmg.com.br

Minas Gerais HG Descontanimação
Contato: Fábio Quirós da Silva - Diretor
Rua Projetada, 89 - Jardim Canadá
CEP 34000-000 - Nova Lima - MG
Tel.: (31) 3581-8725
Fax: (31) 3541-8696
E-mail: hg@hgmg.com.br
Web site: www.hgmg.com.br

REGIÃO SUL

Mega Reciclagem
Contato: José Carlos Capelup - Diretor Comercial
Rua Ilnah Pacheco Secundino de Oliveira, 261
CEP 81460-032
CIC - Curitiba - Paraná
Tel: (41) 3268-6030
Fax: (41) 3268-6031
Web Site: www.megareciclagem.com.br
E-mail: mega@megareciclagem.com.br

Brasil Recicle
Contatos: Márcia Rosário Goll - Comercial / Márcio Adilson Goulart - Diretor
Rua Brasília, 85 - Bairro Tapajós
CEP 89130-000 - Indaial - SC
Tel./Fax: (47) 3333-5055
E-mail: descontaminacao@brasilrecicle.com.br
Web Site: www.brasilrecicle.com.br

Domingo, 5 de Julho de 2009

Traço de mestre

Foto: Luciana Sarmento
A direita Carolina

Como na famosa letra de Chico Buarque, a direita golpista não se deu conta de que "o tempo passou na janela e só ela não viu." Para desespero da direita Carolina e seus apoiadores habituais que acompanharam com alguma esperança a quartelada em Tegucigalpa.

Gilson Caroni Filho

Classificar Manuel Zelaya como o novo cesarista latino-americano é incorrer em erro conceitual grosseiro. Buscar na influência da política externa venezuelana elementos que permitam compreender os acontecimentos em Honduras revela apenas a precariedade da análise, a falácia de uma metodologia preguiçosa e a má fé política de quem se aventura por esse caminho.

Se há algo a ser correlacionado entre os dois países é um passado de institucionalização precária, de redistribuição regressiva da riqueza produzida e empobrecimento crescente das classes trabalhadoras. Se, encarnando aquilo que Gramsci definiu como cesarismo progressivo, Hugo Chávez golpeou fortemente as agremiações tradicionais (Ação Democrática e Copei) e as oligarquias que se refestelaram de petrodólares, sem reinvestir no país um centavo sequer, Melaya foi derrubado, numa quartelada, no dia em que realizaria uma consulta popular, convocando a população a se manifestar sobre uma reforma constitucional. Seria a ampliação do espaço público ameaça tão intensa que justifica a brutalidade da reação?

O que une a oposição de direita em Tegucigalpa e Caracas não é o apreço pela legalidade, mas a veneração reacionária por um passado que não lhes poupou privilégios em detrimento de uma maioria excluída de qualquer direito. Enquanto a elite venezuelana, desde a nacionalização do petróleo nos anos 1970, fez do recurso básico a fonte de uma economia do desperdício, incrementando as importações para consumo de bens luxuosos, a hondurenha soube aproveitar ao máximo o fato de o país, por duas décadas, ter, como destaca Flávio Aguiar em seu artigo (Honduras: a lógica do golpe), se transformado em um centro irradiador de ações militares anti-esquerdistas no próprio país e nos vizinhos, como em El Salvador e na Nicarágua.

O que se passava no país centro-americano era o embrião de uma política de transferência de renda para os mais pobres, que desagradou às elites conservadoras bem como as oligarquias partidárias, sedentas por continuar a usufruir o bem público como direito hereditário. O fato de Melaya ter confrontado o Congresso, o STF e o Ministério Público serve como justificativa para a ação militar? Há como endossar tese do presidente interino, o golpista Roberto Michelleti, de que se tratou de uma ação preventiva, um contragolpe? O isolamento internacional responde a essas questões.

Como na famosa letra de Chico Buarque, a direita golpista não se deu conta de que "o tempo passou na janela e só ela não viu." A resolução unânime de repúdio ao golpe de Estado na Assembléia Geral da ONU, o ultimato da OEA e a condenação categórica da União Européia e dos Estados Unidos demonstram que há uma nova configuração geopolítica mundial sendo desenhada. Para desespero da direita Carolina e seus apoiadores habituais que acompanharam com alguma esperança a quartelada em Tegucigalpa.

Já estamos distantes da época em que Robert Mcnamara, então Secretário de Defesa dos EUA elogiava ditadores latino-americanos dizendo que “eles são os nossos líderes. Não é necessário estender-me sobre a importância de ter em posições de liderança, homens que conhecem previamente como nós, americanos, pensamos e fazemos as coisas”.

A política, como instrumento de reinvenção, operou uma acentuada mudança de cálculo. Dessa vez, o golpismo não percebeu que “lá fora, uma rosa nasceu, todo mundo sambou e uma estrela caiu”. Feliz conjunção da poética e da práxis que não aceita retrocessos.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil.


Texto publicado originalmente em 4 de Julho de 2009 no site da "Agência Carta Maior". E publicado também, com algumas adaptações, no JB do mesmo dia.

Sábado, 4 de Julho de 2009

Nos traços da história: 61 anos sem Monteiro Lobato estar aqui

Como homenagem, trago até aqui a última entrevista concedida por Monteiro Lobato. A entrevista foi concedida ao radialista Murilo Alves Mendes, da rádio Record, em 2 de Julho de 1948, dois dias antes de Lobato falecer. O áudio completo está disponível nos 3 vídeos abaixo. É raridade pura, é verdadeira preciosidade.








Confira também:


Monteiro Lobato - um visionário

Texto do CPDoc / JB


Maior escritor da literatura infanto-juvenil brasileira, Monteiro Lobato foi um visionário. O filho de fazendeiros de Taubaté (SP), criador da frase "um país se faz com homens e livros", fundou em 1918 a primeira editora do Brasil, a Monteiro Lobato e Cia. Antes da iniciativa, todos os livros eram impressos em Portugal.

Monteiro Lobato estreou como escritor em 1918, com Urupês, obra-prima com 14 contos sobre o cotidiano do homem do campo, seus costumes, crenças, tradições. Nos anos seguintes, publicou Cidades mortas e Negrinha, que abordam a violência contra negros, mulheres e imigrantes, a arrogância das elites e o crescimento desordenado das metrópoles.

Já consagrado na carreira literária, foi nomeado em 1926 adido comercial da embaixada brasileira nos Estados Unidos, de onde retornou só em 1931. Lobato enfrentou graves problemas naquele país por causa de seu livro O presidente negro e O choque de raças, publicado em 1926, que narra a eleição do 88° presidente americano em que três candidatos disputam os votos: o negro Jim Roy, a feminista Evelyn Astor e o presidente Kerlog, candidato à reeleição.

O escritor regressou dos EUA convencido de que o subsolo brasileiro guardava enormes riquezas naturais, principalmente petróleo. A partir de então foi um ardoroso defensor da criação da Petrobras e contrário à exploração das reservas minerais por multinacionais. Chegou a remeter uma carta ao presidente Getúlio Vargas, em pleno Estado Novo, na qual denunciava o interesse estrangeiro por negar a existência de petróleo no Brasil e acabou preso. Getúlio considerou a carta ofensiva ao governo. Monteiro Lobato seria preso novamente, pelo mesmo motivo, em 1941. A luta pela nacionalização da extração de petróleo deixou o escritor pobre, doente e desgostoso.

Vasta obra infantil
O escritor produziu 26 títulos dedicados ao público infantil, criando personagens inesquecíveis como os do Sítio do Pica-Pau Amarelo: a boneca Emília, o visconde de Sabugosa, o Narizinho, o Pedrinho, a tia Nastácia, dona Benta, além de Jeca Tatu.

O município baiano onde foi perfurado o primeiro poço de petróleo no Brasil, em 1939, por coincidência tinha o nome de Lobato.

Monteiro Lobato defendia também o imposto único sobre o valor da terra, baseado nas teorias de Henry George.

Em homenagem ao seu nascimento, no dia 18 de abril, é comemorado o Dia do Livro Infantil. O escritor morreu em 4 de Julho de 1948 depois de sofrer um derrame.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Jose Carreras em grande estilo - "Amigos para sempre"

Fiocruz reunirá Greenpeace, Inpe, Coppe e MME para debater energias alternativas ao vivo na internet



Da Assessoria de Comunicação do Canal Saúde / Fiocruz



A Fiocruz reunirá especialistas para refletir sobre as opções que o país está adotando para complementar as fontes não-renováveis e poluentes, como o petróleo. O programa vai ao ar ao vivo e será interativo. Para participar, basta acessar www.canalsaude.fiocruz.br, hoje (sexta-feira, 3), às 13h, ou assistir pela NBR e ligar 0800 701 8122 (ligação gratuita).

Os convidados que debaterão o assunto com os internautas e telespectadores são o Drº Carlos Nobre (Inpe), Ricardo Baitelo (Greenpeace), Luiz Pinguelli (Coppe/UFRJ) e Maurício Tolmasquim (Minas e Energia).

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Professor Hélio Alonso: "Fim do diploma não vai mudar nada na FACHA".




O professor Hélio Alonso deu depoimento exclusivo hoje ao blog do professorpc falando sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo.